A trajetória de Ariane Campolim: de física médica ao day trade profissional

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A busca por liberdade e propósito tem levado muitos jovens profissionais ao mercado financeiro. No entanto, poucas jornadas ilustram tão claramente essa transição quanto a de Ariane Campolim, trader da XP.

Nesse contexto, sua história reúne viradas de rota, dúvidas, recomeços e a consolidação de um método próprio após enfrentar frustrações profundas dentro e fora do ambiente corporativo.

É justamente essa jornada que ganha destaque no programa de estreia do Arena Tática, novo projeto do canal Arena Trader XP. Ariane participa de uma série exclusiva de cinco episódios, e este é o primeiro deles. Na abertura desta temporada, ela compartilha os bastidores de sua formação técnica e emocional no trade.

Do hospital ao mercado financeiro

Ariane cursava Física Médica na Unesp Botucatu quando percebeu, durante o estágio no hospital, que não queria seguir aquela carreira. A escolha profissional, feita ainda adolescente, já não fazia sentido.

A partir desta insatisfação, a guinada veio ao cursar uma disciplina optativa de economia e conhecer um professor que a alertou sobre novas possibilidades. “Não é porque você fez uma faculdade que você traçou o seu rumo e você tem que fazer isso pro resto da vida”, explica.

Movida por essa orientação, a curiosidade a levou a pesquisar sobre físicos que atuavam no mercado financeiro e a entrar em contato com um profissional via LinkedIn. A iniciativa rendeu sua primeira conversa sobre trade — e o início de uma nova direção.

Mesmo após esse primeiro contato, a virada não foi imediata: Ariane ainda concluiu a graduação e foi contratada para trabalhar com TI antes de se dedicar ao mercado. “Foi ali que eu tive o meu primeiro contato com trade e desde então nunca mais parei”, observa.

Primeiras frustrações e o peso da CLT

Ariane começou estudando day trade, mas o entusiasmo inicial rapidamente dividiu o espaço com frustrações. Na época, ela conciliava estudos e o trabalho em regime CLT, rotina que a desgastava emocionalmente. O que mais a impactava não eram os desafios do trade, mas a falta de liberdade no emprego tradicional. “Eu não via minha vida andar. Eu não tinha liberdade”, afirma.

Nesse cenário, a comparação constante entre a rigidez da CLT e a flexibilidade do mercado acelerou sua decisão de pedir demissão — um movimento descrito como doloroso, mas inevitável. “Eu prefiro lidar com isso, de aprender, de passar pelas frustrações do trade, de me corrigir, de tentar do que de fato voltar pra vida que eu tinha”, conclui.

A jornada sem ‘virada de chave’

Enquanto muitos buscam um momento mágico de transformação, Ariane reduz essa ideia a um mito. Para ela, consistência é construção lenta, não epifania. “Eu não acredito muito nesse negócio que o pessoal fala, né, que vira uma chavinha”, alerta.

Após deixar o emprego, ela voltou para a casa dos pais e iniciou uma fase desafiadora emocionalmente e financeiramente. O processo envolveu choro, incertezas, erros operacionais e a busca por um método próprio. “Eu não sei nem enumerar quantas noites eu chorei no travesseiro”, relata.

Diante desse período de instabilidade, essa etapa incluiu testar diferentes técnicas até se identificar com um operacional capaz de entregar evolução real. Ao mesmo tempo, Ariane destaca a importância de iniciar com cautela para evitar perdas irreparáveis. “Você vai precisar conhecer muitos operacionais até que você se encontre”, orienta.

Liberdade com responsabilidade

Ariane reconhece que o mercado oferece uma liberdade raríssima no ambiente corporativo. Viajar quando quiser, ajustar a rotina, trabalhar menos em determinados períodos — tudo isso se torna possível quando os resultados aparecem. Mas ela reforça que essa liberdade exige maturidade e disciplina. “O trade ele te dá sim essa liberdade… desde que você consiga seus resultados”, explica.

Para quem vê apenas ostentação nas redes sociais, Ariane faz um alerta direto: resultados consistentes demandam muito mais esforço do que o glamour sugere. “As pessoas vendem uma ilusão de que é rápido, de que é fácil, né? e de que você vai conseguir sem esforço”, alerta.

Por essa razão, a combinação de expectativas irreais e conteúdos superficiais é a grande armadilha que faz muitos acreditarem em conquistas imediatas, sem preparo técnico ou emocional para sustentar resultados. “Elas acham que da noite pro dia ela vai tá ganhando ali 10.000 por dia e que a vida dela toda vai estar resolvida”, conclui.

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