Para o psicólogo existencialista Thalles Contão, a pergunta mais importante para um trader não é sobre setups, alavancagem ou timing — é “Quem é você?”. Essa reflexão, embora pareça simples, é a base para entender por que alguns operadores evoluem e outros se sabotam continuamente. Além disso, ela revela o ponto de partida psicológico que sustenta qualquer processo de consistência.
No episódio 3 da 4ª temporada do Mapa Mental no canal GainCast, Thalles afirma que a identidade não pode ser reduzida ao papel profissional, muito menos a impressões sociais. Segundo ele, confundir função com essência cria um terreno fértil para ilusões e comportamentos destrutivos. “A gente responde quem a gente é pelo valor social e econômico que traz. Isso não é quem a gente é”, afirma.
O falso self e a ilusão das redes
A partir dessa lógica, Thalles aprofunda um fenômeno comum entre traders: a criação de um “eu” artificial, moldado para agradar, impressionar ou parecer mais capaz do que realmente é. As redes sociais amplificam esse processo, incentivando narrativas irreais que afastam o operador de sua própria verdade e geram expectativas impossíveis de sustentar.
Ele reforça que esse distanciamento da autenticidade faz o trader agir movido pelo ego, não pela consciência — e, portanto, perder o controle operacional quando precisa tomar decisões difíceis. “O cara pensa no que vão pensar dele… ele vive sobre o império do ego”, observa.
Essa dissociação interna cria um ciclo de autopressão, impulsividade e inabilidade de aceitar perdas, além de incentivar comparações tóxicas. Como resultado, o operador compromete qualquer tentativa de consistência, por mais avançada que seja a técnica empregada. “Uma vez que eu me comparo, eu vou ter uma tendência a procurar uma identidade que não é real”, alerta.
A autenticidade como proteção emocional
Na visão de Thalles, autenticidade não é apenas um valor moral ou filosófico — é um instrumento prático de sobrevivência psicológica no mercado. Quando o trader assume esse ponto de partida, suas decisões se alinham à própria capacidade, história e contexto; quando opera a partir de ilusões, vive em permanente conflito interno.
Ele explica que a inautenticidade é mais perigosa que a mentira, porque não pode ser facilmente desmontada por fatos externos. Trata-se de uma ilusão parcialmente verdadeira, que aprisiona o indivíduo em narrativas sedutoras, mas irreais. “A inautenticidade às vezes leva o indivíduo a um caminho de ilusão”, conclui.
Além disso, Thalles destaca que a comparação com resultados extremos — comuns nas redes — mina a estabilidade emocional do trader, desviando sua atenção da própria jornada e criando expectativas destrutivas. Por consequência, o indivíduo reforça padrões de distorção e perde clareza sobre quem realmente é. “Uma vez que eu me comparo, vou ter uma tendência a procurar uma identidade que não é real”, alerta.
Quem é Thalles Contão?
Ao ouvir de Guilherme a mesma pergunta que lançou aos traders “E você, quem é?”. Thalles, então, oferece uma resposta profundamente alinhada ao que defende como prática existencial, revelando sua própria estrutura de autenticidade. “Eu sou um homem adulto, casado, orgulhoso de sua família e humano, demasiadamente humano”, afirma.
Ele explica que seu sentido de identidade está ancorado na responsabilidade que assume pelas próprias escolhas — e não em títulos, funções ou validação externa. É esse alinhamento interno que ele considera indispensável ao trader que deseja consistência e maturidade emocional. “Eu reconheço e abraço a minha integral e total responsabilidade”, conclui.
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