As ações da gigante de bebidas Ambev (ABEV3) tiveram forte valorização nesta quinta-feira (12), após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. Os papéis subiram 4,76%, cotados a R$ 16,52.
O JPMorgan avalia que a Ambev apresentou resultados amplamente em linha com as expectativas, com leve surpresa positiva em relação às estimativas do próprio banco. A unidade de Cerveja Brasil veio melhor que o esperado, enquanto LAS (operação da América do Sul, excluindo Brasil) ficou abaixo das projeções.
A receita líquida somou R$ 24,8 bilhões, queda de 8,2% na comparação anual reportada e alta orgânica de 4,8%, ficando 0,6% acima do consenso, mas 5,2% abaixo da estimativa do JPMorgan. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) normalizado foi de R$ 8,85 bilhões, recuo de 8% na base anual reportada e avanço orgânico de 1,3%, praticamente em linha com o JPMorgan e 3,7% acima do consenso. O lucro líquido totalizou R$ 4,62 bilhões, queda de 8% ano a ano, 0,2% acima da projeção do banco e 2,8% superior ao consenso.
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Os volumes de Cerveja Brasil surpreenderam positivamente, com queda orgânica de 2,6% na comparação anual, desempenho 0,8 ponto percentual melhor que a estimativa do banco. O EBITDA da divisão também superou as projeções, apoiado por volumes melhores e menores despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), que ficaram 8,8% abaixo da previsão do JPMorgan, com alta orgânica de 0,1%.
A companhia divulgou guidance de custos para 2026 em Cerveja Brasil, projetando aumento do COGS (custo dos produtos vendidos) por hectolitro entre 4,5% e 7,5%, acima da estimativa do JPMorgan, de 3,6%, frustrando a expectativa inicial do banco de custos abaixo da inflação.
Já o Bradesco BBI avalia que a Ambev segue executando bem o que está sob seu controle. Em 2025, a eficiência em despesas gerais e administrativas, especialmente as economias com logística, foi um destaque relevante. Ainda assim, o BBI questiona o quanto esse movimento pode avançar adicionalmente, considerando que as despesas gerais e administrativas em caixa como percentual da receita já atingiram o menor nível em pelo menos 15 anos.
O desempenho de preços tem sido misto, e a elasticidade observada nos volumes de cerveja no Brasil após os reajustes no início de 2025 serviu como alerta. Sem preços mais competitivos, o espaço para nova expansão de margens parece limitado, mesmo em um ambiente de custos mais favorável.
O Goldman Sachs, por sua vez, avalia que a combinação de retração de volumes, moderação nos preços, mesmo com um mix mais premium, e aparente desempenho fraco no segmento principal indicam que a fraqueza da demanda é estrutural, e não apenas relacionada a fatores climáticos.
Com a inflação de custos projetada novamente acima da inflação geral em 2026, o Goldman Sachs não vê um ponto claro de inflexão no crescimento da companhia.
O Morgan Stanley destaca que embora o 4T25 tenha mostrado dinâmica fraca de receita no núcleo da operação, as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) surpreenderam positivamente, e o EBITDA da principal divisão superou o consenso em cerca de 6%.
A XP Investimentos classifica o resultado como morno, embora isso seja majoritariamente consequência da construção de uma percepção negativa ao longo do ano, marcada por desafios climáticos somados a um cenário de inflação desafiador.
Por outro lado, a XP vê de forma positiva o foco em produtividade e despesas, com uma forte surpresa positiva tanto em Cash COGS/hl (ou custo-caixa dos produtos vendidos/hectolitro) quanto em cash SG&A/hl (ou custo-caixa de vendas, gerais e administrativas/hectolitro), uma promessa cumprida pelas novas gestões.
Destaques positivos
Entre os destaques positivos, o JPMorgan aponta que os volumes de cerveja no Brasil superaram as projeções, refletindo demanda melhor que o esperado em dezembro, especialmente no período de festas. O EBITDA da divisão também veio acima do previsto, impulsionado pelo volume e pelo controle disciplinado de SG&A, com contração de margem limitada a 60 pontos-base em termos orgânicos.
Na CAC (América Central e Caribe), os volumes orgânicos cresceram 0,4% ano a ano, superando expectativas e mostrando melhora sequencial, apesar de um ambiente setorial mais fraco.
Destaques negativos
Por outro lado, LAS (América Latina Sul) e Canadá continuam estruturalmente mais fracos, com a margem EBITDA de LAS recuando 360 pontos-base em termos orgânicos e volumes no Canadá caindo 0,7% na base anual orgânica. No Brasil, a divisão de NAB (Non-Alcoholic Beverages, bebidas não alcoólicas) segue abaixo do desempenho da indústria, com volumes em queda de 6,6% organicamente e expansão de margem insuficiente para compensar a fraqueza da receita.
O lucro bruto ficou praticamente estável, com alta orgânica de 0,3%, 3,3% abaixo das expectativas do JPMorgan, e margem bruta em retração de 230 pontos-base, principalmente devido ao efeito do timing de hedge cambial.
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Os resultados da Ambev no 4T25 superaram levemente as estimativas do Itaú BBA, com destaque para a LAS, que mais do que compensou números abaixo do esperado em CAC e uma linha mais pressionada de outras despesas financeiras. A unidade de Cerveja Brasil também contribuiu positivamente, com surpresa de R$ 140 milhões, principalmente em SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas).
Em relação às perspectivas, o guidance de custo caixa (COGS, custo de produtos vendidos) para Cerveja Brasil em 2026 está alinhado às projeções do Itaú BBA, o que não levou a revisões relevantes nas estimativas por ora.
Valuation
Segundo o Itaú BBA, boa parte das conversas com investidores locais tem se concentrado no valuation atual da companhia, que negocia a cerca de 16 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L 2026), patamar que não parece um ponto de entrada especialmente atrativo diante das projeções atuais de crescimento do lucro por ação (EPS).
Ainda assim, a surpresa positiva no resultado do 4T25 tende a sustentar o desempenho das ações no curto prazo, ao não interromper a tendência recente de entrada de fluxo estrangeiro, deixando as discussões sobre valuation em segundo plano neste momento. Dessa forma, o BBA manteve recomendação market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro) e preço-alvo de R$ 14.
A questão, após as ações terem sido reprecificadas para um múltiplo P/L de 16,8 vezes para 2026, um prêmio de 15% em relação às cervejarias globais, é o que poderia gerar novas surpresas positivas nos resultados daqui em diante. Com isso, o BBI manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 13.
O JPMorgan reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 15. Já o Goldman Sachs manteve recomendaçaõ de venda e preço-alvo de R$ 11,30.
O Morgan Stanley projeta lucro por ação mais de 10% abaixo do consenso em 2027, o que torna a ação cara em sua visão. A cerca de R$ 16 por ação, ABEV3 negocia a aproximadamente 16,2 vezes o lucro projetado (P/L forward) pelo consenso, ou 16,7 vezes nas estimativas do banco, um prêmio de quase 40% em relação a ações locais de consumo, ante um desconto histórico de 6%.
Frente às cervejarias globais, o menor crescimento implica um índice PEG (preço/lucro sobre crescimento) de cerca de 8, contra média de 2 dos pares. O Morgan Stanley recomendação underweight (equivalente à venda) e preço-alvo de R$ 10,50 para a Ambev, sustentado principalmente pela visão de que o mercado de cerveja no Brasil está estruturalmente comprometido.
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