O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta quarta-feira, ultrapassando no melhor momento a marca de 190 mil pontos pela primeira vez, em movimento tracionado pelas blue chips Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, e mais uma vez com persistente fluxo de capital externo para as ações brasileiras.
O noticiário corporativo reforçou o viés positivo, com Suzano disparando mais de 13% após resultado forte e expectativas otimistas para a demanda de celulose, enquanto TIM saltou quase 8%, também refletindo a repercussão a números melhores do que o previsto no último trimestre do ano passado.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa (BVSP) avançou 2,03%, a 189.699,12 pontos, novo topo de fechamento, marcando 190.561,18 no melhor momento, novo recorde intradia, após superar na sessão os 188 mil e os 189 mil pontos pela primeira vez. Na mínima, mostrou 185.936,27 pontos.
O volume financeiro no pregão somou R$38,6 bilhões.
Dados da B3 sobre a movimentação dos investidores estrangeiros mostram uma entrada líquida de quase R$4,2 bilhões em fevereiro até o dia 9, após um saldo positivo de R$26,3 bilhões em janeiro. Em todo o ano passado, houve um superávit de quase R$25,5 bilhões.
Esse fluxo é responsável por grande parte da performance observada na bolsa paulista neste ano, afirmou o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz. “O estrangeiro está olhando com bons olhos para o Brasil”, disse, chamando a atenção para a perspectiva de queda da taxa Selic neste ano.
Estrategistas têm afirmado que a entrada de estrangeiros na bolsa paulista reflete um movimento de rotação global de ativos, saindo principalmente dos Estados Unidos, que tem beneficiado mercados emergentes como o Brasil.
Em 2026, o Ibovespa já acumula uma valorização de 13,6%, tendo renovado vários recordes.
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Na visão do estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, o desempenho do Ibovespa nesta sessão também esteve relacionado à nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest, que mostrou redução na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “O mercado interpretou esse movimento como positivo”, afirmou.
De acordo com o levantamento, nos sete cenários de primeiro turno simulados, Lula teria entre 35% e 39% das intenções de voto, enquanto Flávio soma entre 29% e 33%. Em um segundo turno entre ambos, Lula teria 43%, ante 45% de janeiro, e Flávio somaria 38%, mesmo patamar da pesquisa anterior.
A quarta-feira também foi marcada pela divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que mostraram a criação de 130 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em janeiro, após 48.000 em dezembro em dado revisado para baixo e bem acima do esperado, enquanto a taxa de desemprego caiu a 4,3%, de 4,4% em dezembro.
Na visão da economista Andressa Durão, do ASA, os dados continuam “sugerindo que a taxa de juros deve permanecer parada em território levemente restritivo, já que o mercado de trabalho deixou de ser um risco baixista e pode voltar a se tornar um risco altista para a inflação”.
Em Wall Street, o S&P 500 (SPX) fechou estável.
O pregão brasileiro ainda teve de pano de fundo divulgação na véspera do rebalanceamento de índices MSCI, que passa a vigorar em 27 de fevereiro.
DESTAQUES
VALE ON (VALE3) avançou 3,49%, descolada da fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCIOcv1) caiu 0,07%. Investidores aguardam o resultado da mineradora na quinta-feira, após o fechamento do mercado.
ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) subiu 1,96% e BRADESCO PN (BBDC4) fechou em alta de 2,96%, em mais um pregão positivo no setor. BANCO DO BRASIL ON (BBAS3), que divulga seu balanço após o fechamento da bolsa nesta quarta-feira, terminou negociada em alta de 0,44%.
PETROBRAS PN (PETR4) avançou 1,95%, endossada pelo avanço dos preços do petróleo no exterior, onde o barril de Brent (LCOc1) subiu 0,87%. Números sobre produção e vendas da companhia no quarto trimestre também ocuparam as atenções. PETROBRAS ON (PETR3) valorizou-se 3,01%.
SUZANO ON (SUZB3) disparou 13,32%, após Ebitda de R$5,58 bilhões no quarto trimestre e perspectiva positiva para celulose no curto prazo. A empresa disse que manterá neste ano volume de produção de celulose de mercado cerca de 3,5% menor do que a capacidade nominal anual e anunciou recompra de ações.
TIM ON (TIMS3) saltou 7,85%, após lucro de R$1,35 bilhão no quarto trimestre, acima de previsões no mercado. O conselho de administração também aprovou acordo com a IHS Fiber Brasil que estabelece termos para compra de 51% do capital social da I-Systems Soluções de Infraestrutura.
KLABIN UNIT (KLBN11) subiu 6%, com o balanço dos últimos três meses de 2025 também no radar. A fabricante de papel para embalagens e celulose divulgou mais cedo Ebitda ajustado de R$1,83 bilhões, praticamente estável em relação ao quarto trimestre do ano anterior, mantendo a margem de 35%.
ENEVA ON (ENEV3) avançou 1,97%, recuperando parte do tombo na véspera após frustração de investidores com preços-teto aprovados pela Aneel para leilão de capacidade do setor elétrico. Nesta quarta-feira, o ministro de Minas e Energia disse que os preços estão sendo corrigidos.
TOTVS ON (TOTS3) recuou 1,75%, antes da divulgação do resultado do quarto trimestre nesta quarta-feira, após o fechamento do mercado. As ações da companhia continuam também sensíveis ao viés mais negativo para as ações de empresas de softwares nos EUA, em meio a preocupações sobre efeitos da IA.
SMARTFIT ON (SMFT3) caiu 0,37%, com agentes analisando anúncio da véspera de que o conselho de administração aprovou mudanças na diretoria da rede de academias de ginástica. A partir de março, Diogo Corona será o novo presidente-executivo e José Rizzardo Pereira, novo diretor financeiro.
INTER&CO (INTR.O), que é negociada em Nova York, recuou 3,34%, mesmo após divulgar lucro líquido de R$374 milhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 36% ante o mesmo período de 2024. O retorno sobre o patrimônio (ROE) avançou para 15,1%, de 12,5% um ano antes.
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