A BB Seguridade (BBSE3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 2,286 bilhões, cerca de 2% acima do consenso da Bloomberg, além de anunciar a distribuição de R$ 4,95 bilhões em dividendos. As ações da seguradora subiram 2,3%, cotadas a R$ 38,22.
Segundo o JPMorgan, a surpresa positiva foi explicada por mais um trimestre forte de resultado financeiro líquido, que atingiu R$ 577 milhões (25% do resultado), enquanto, do ponto de vista operacional, o ano terminou de forma bastante fraca, com os prêmios emitidos recuando 9% ano a ano em 2025.
A companhia divulgou guidance para 2026 com prêmios entre -3% e +2% e resultado operacional entre -3% e -7%. O JPMorgan avalia que o ponto médio implica lucro de R$ 8,6 bilhões, cerca de 2% abaixo do consenso de R$ 8,76 bilhões. Mais importante, o banco vê o guidance fraco de prêmios pressionando o desempenho também em 2027, o que transforma a tese da BB Seguridade em uma história de ausência de crescimento de lucro por ação entre 2025 e 2027.
O JPMorgan assume que a taxa média Selic seguirá como um vento contrário em 2027, o que sustenta sua recomendação de underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) e a visão de que um dividend yield de 10% não é suficiente.
No trimestre, segundo JPMorgan, os prêmios emitidos e as contribuições em previdência ditaram o tom negativo, mas o banco aponta alguns pontos positivos, como a melhora do índice de sinistralidade e a evolução de resgates mais portabilidade em previdência. O JPMorgan observa que a BB Seguridade negocia a 8,7 vezes o lucro estimado para 2026.
Já o Goldman Sachs destaca que os prêmios de seguros permaneceram fracos em suas principais verticais, o que foi parcialmente compensado por uma redução de sinistros. O negócio de previdência também esteve pressionado, com resgates líquidas de R$ 6,2 bilhões. Ainda assim, os resultados do 4T25 foram sustentados por números financeiros relativamente resilientes tanto nos segmentos de seguros quanto de previdência.
Na avaliação do Bradesco BBI, a BB Seguridade reportou tendências operacionais fracas no trimestre, já que os prêmios emitidos caíram em base trimestral, pressionando o crescimento da receita líquida da Brasilseg nos próximos anos, apesar da leve superação às estimativas no trimestre. Além disso, o banco também observa que as contribuições líquidas da Brasilprev permanecem em território negativo.
O BBI destaca ainda que a previsão para 2026 foi mais fraca do que o esperado, especialmente no front operacional.
Para a Genial Investimentos, o crescimento anual segue sustentado quase exclusivamente por um resultado financeiro robusto, impulsionado pelo patamar elevado da Selic, pela redução do custo do passivo da Brasilprev (deflação do IGP-M) e pela expansão do saldo médio das aplicações financeiras.
O Itaú BBA comenta que o lucro foi impulsionado por uma receita líquida de investimentos mais forte do que o previsto, 28% acima das projeções; contudo, o cenário operacional permanece difícil, ficando 4% abaixo das expectativas. O BBA espera que esse ambiente desafiador persista em 2026, visto que a projeção para o ano prevê números ligeiramente piores do que o esperado em todos os segmentos.
Projeções
Mesmo com o crescimento de lucro de 11,4% para 2025, a Genial Investimentos projeta um ritmo mais moderado em 2026. O guidance, segundo estimativas, aponta para uma queda de 4,4% na comparação anual, refletindo a provável queda da Selic, o que deve reduzir o resultado financeiro, baixo crescimento de prêmios, decrescimento do resultado operacional.
A BB Seguridade não fornece guidance para resultado financeiro, mas o banco observa que juros mais baixos também podem levar a uma queda desses resultados em 2026. No geral, o guidance implica uma queda de cerca de 5% ano a ano no lucro, para aproximadamente R$ 8,6 bilhões no ponto médio, 2% baixo da previsão do Goldman Sachs e 1% abaixo do consenso.
De modo geral, o BBA continua cauteloso em relação à empresa, aguardando algumas melhorias operacionais, principalmente no que diz respeito aos prêmios. O banco prevê que a ação será negociada a 8,5 vezes o lucro por ação estimado para 2026, com um rendimento de dividendos de 10,5%. Com isso, reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 35.
Recomendação
Apesar de o resultado financeiro ainda compensar parcialmente a fraqueza operacional, a BB Seguridade segue sem apresentar gatilhos claros de crescimento. Diante da ausência de alavancas de curto prazo, a Genial Investimentos rebaixou a recomendação de compra para neutro, com preço-alvo de R$ 40,40.
O Goldman Sachs tem recomendação de compra para a BB Seguridade, com preço-alvo de R$ 38 para os próximos 12 meses, baseado em um modelo de valuation por desconto de dividendos (DDM), que considera um custo de capital próprio (COE) de 15,3%, crescimento de segunda fase de 7% e crescimento terminal de 6%. Atualmente, a ação é negociada a 8,2 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L), enquanto o preço-alvo do banco implica múltiplo de 8,3 vezes.
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