A recente valorização da bolsa brasileira “atropelou” a necessidade de alívio nos juros que normalmente é exigida pelo investidor estrangeiro para investir no País, mas a sombra dessa responsabilidade ainda paira – e ameaça encurtar o rali do Ibovespa. A leitura é da Verde Asset Management, que ressalta o desempenho positivo dos ativos locais em janeiro sustentado sobretudo por fluxo internacional, mas faz o alerta de que esse movimento, sozinho, não garante um ciclo longo de valorização.
“Ao fim e ao cabo, ou o Brasil enfrenta seus dilemas fiscais e destrava juros substancialmente menores, ou teremos dificuldade de estender e alongar sustentadamente o ciclo de alta no preço dos nossos ativos”, resume a gestora em carta mensal de janeiro, divulgada nesta segunda-feira (9).
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Segundo a Verde, o pano de fundo doméstico segue dominado pelo nível elevado dos juros reais e nominais, que limita a capacidade de expansão mais duradoura dos preços dos ativos. A reprecificação recente da bolsa ocorreu, pontua a casa, em grande medida porque o investidor estrangeiro opera com um custo de capital mais baixo que o investidor local, que continua “refém do CDI”.
No momento em que o risco cambial deixa de ser uma preocupação central para o investidor externo, esse diferencial de custo de capital permite pagar preços mais altos por ações brasileiras. A casa observa que esse tipo de transição de preços já ocorreu em outros momentos da história, como no superciclo de 2003 a 2011 e no chamado mini-ciclo de 2016 a 2017.
A diferença, no entanto, é que hoje faltariam elementos para sustentar um ciclo prolongado semelhante ao do início dos anos 2000. “Analisando as condições atuais, é difícil ver impulso para uma década de crescimento forte de lucros em mercados emergentes”, afirma a carta, que considera mais razoável a comparação com 2016-17, período de boa performance, mas sem continuidade por ausência de uma base sólida de lucratividade.
Diante desse cenário, a casa optou por reduzir a exposição à bolsa brasileira, com venda de papéis específicos, após a forte performance recente. A posição em ações globais foi mantida.
Na renda fixa local, a estratégia segue aplicada em juro real. Nos Estados Unidos, a alocação combina posição aplicada em juro real com compra de inflação implícita. A gestora também manteve posições em ouro, no renminbi chinês dentro de uma cesta de moedas contra o dólar, além de opções de compra em real. A alocação em crédito não sofreu alterações.
Resultado forte em janeiro
O multimercado da Verde fechou janeiro com alta de 3,03%, superando o CDI, que avançou 1,16% no mesmo período. O principal destaque positivo veio do book de ações, que respondeu por 1,38 ponto percentual do resultado mensal, além de contribuições relevantes de moedas, com destaque para o real, e da posição em ouro.
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