China orienta bancos a reduzir Treasuries e taxas de títulos dos EUA voltam a subir

Os Treasuries ampliaram as perdas em valor e alta nas taxas depois que reguladores chineses teriam aconselhado instituições financeiras do país a reduzir suas posições em títulos do governo dos Estados Unidos, diante de preocupações com a volatilidade do mercado.

Os rendimentos dos Treasuries de referência subiram até quatro pontos-base, para 4,25%, após negociarem em torno de 4,22% mais cedo, enquanto os papéis de 30 anos avançaram dois pontos-base, para 4,87%. O índice Bloomberg Dollar Spot recuou 0,2%.

Autoridades chinesas pediram que bancos limitassem compras de títulos do governo dos EUA e instruíram aqueles com maior exposição a reduzir posições, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Não foram definidos alvos específicos de volume ou prazo, e a diretriz não se aplica às reservas estatais chinesas em Treasuries.

Embora o pedido tenha sido apresentado como uma medida de diversificação de risco, ele pode reforçar uma tendência global recente, na qual países como Índia e Brasil reduziram sua exposição ao maior mercado de renda fixa do mundo, em meio a dúvidas crescentes sobre a atratividade dos ativos americanos. Riscos geopolíticos, como as ameaças do presidente Donald Trump envolvendo a Groenlândia, aprofundaram o desconforto e estimularam a busca por ativos alternativos, como o ouro.

“É a evidência mais recente de um padrão em formação — um sinal de que a expectativa de saídas estruturais de longo prazo do dólar não é apenas uma miragem”, afirmou Gareth Berry, estrategista do Macquarie Group Ltd. “Gestores de ativos baseados nos EUA, na Europa — e não apenas na Dinamarca — e agora na China estão, potencialmente, votando com os pés.”

As posições de investidores sediados na China em Treasuries caíram pela metade, para US$ 682,6 bilhões, o menor nível desde 2008, ante o pico de US$ 1,32 trilhão alcançado no fim de 2013, segundo dados oficiais dos EUA. Ainda assim, a Bélgica — cujas posições costumam incluir contas de custódia chinesas — viu suas participações em Treasuries quadruplicarem desde o fim de 2017, para US$ 481 bilhões.

Considerando também as posições chinesas em títulos de agências dos EUA e em ações, o investimento total do país asiático em ativos americanos permaneceu relativamente estável desde o fim de 2023. A China é o terceiro maior detentor estrangeiro de Treasuries, atrás do Japão e do Reino Unido.

Grande parte da dívida é detida por instituições oficiais chinesas e tende a ter vencimentos mais curtos, por razões de liquidez, disse Martin Whetton, chefe de estratégia de mercados financeiros do Westpac Banking Corp. “Assim, o que sobra para os bancos é pouco, e a China não é exatamente um fator decisivo nas ofertas mensais de Treasuries”, acrescentou.

No geral, as posições estrangeiras em títulos do governo dos EUA avançaram em novembro para o maior nível da série histórica, segundo dados do Departamento do Tesouro. Aumento nas posições de Noruega, Canadá e Arábia Saudita ajudou a compensar mais uma queda mensal no total da China.

Os Treasuries têm oferecido retornos melhores do que seus pares, em parte devido aos rendimentos elevados. Os papéis acumulam ganho de 5,3% nos últimos 12 meses, ficando atrás apenas de Singapura e Israel entre os principais mercados de dívida soberana de países desenvolvidos.

No mês passado, Trump alertou países europeus contra vendas retaliatórias de ativos dos EUA em resposta às ameaças tarifárias relacionadas à Groenlândia. Embora persistam tensões significativas entre Pequim e Washington, as relações se estabilizaram após a trégua comercial firmada no ano passado.

“Ainda é mais ‘diversificar’ do que ‘desdolarizar’, mas isso pode dar ao mercado mais fôlego para a tese de desvalorização”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo Capital Markets, em Singapura. “Reservas chinesas e bancos chineses têm objetivos diferentes. Reguladores podem apertar regras de exposição bancária, enquanto as reservas ainda precisam de ativos líquidos em dólar para intervenção ou gestão de liquidez.”

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