Por que CDBs curtos pagam mais que títulos de longo prazo? Confira taxas de janeiro

Quem comprou CDBs em janeiro se deparou com um cenário curioso na renda fixa: emprestar dinheiro ao banco por apenas 12 meses rendeu mais, em termos reais, do que deixar o dinheiro na aplicação por três anos. 

Segundo levantamento da Quantum Finance feito a pedido do InfoMoney, a média de remuneração dos CDBs de inflação de 12 meses foi de 8,33% além do IPCA, superando os vencimentos de 36 meses, que pagaram, em média, IPCA + 7,46%. 

Para Plínio Zanini, diretor de risco da Ciano Investimentos, essa curva invertida é reflexo direto do patamar atual da Selic, hoje em 15% ao ano. “A Selic está num pico que não vemos há quase 20 anos. Um título curto precisa competir com essa taxa atual”.

A explicação é que, como o mercado precifica cortes de juros para o final de 2026 e 2027, o título longo carrega uma expectativa de taxa média menor. Por isso, o curto prazo está sendo obrigado a pagar mais agora.

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, acrescenta que há uma necessidade de caixa imediata por parte dos bancos emissores. “No curto prazo, os emissores precisam rolar passivos e reforçar liquidez, o que os leva a oferecer prêmios mais agressivos. Já nos vencimentos longos, há maior cautela diante das dúvidas sobre a inflação estrutural, dívida pública e política monetária. O mercado está pagando mais para ‘comprar tempo’ agora”, avalia.

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Retornos de CDBs indexados à inflação entre 31/12/2025 e 30/01/2026
Prazo (meses) Taxa mínima (IPCA+) Taxa média (IPCA+) Taxa máxima (IPCA+) Número de títulos Emissor da maior taxa
12 7,99% 8,33% 8,66% 61 Haitong Brasil
24 7,22% 7,64% 8,22% 40 Haitong Brasil
36 6,96% 7,46% 7,88% 44 Haitong Brasil
Fonte: Quantum Finance

Nos pós-fixados, a situação é similar. CDBs de três meses chegaram a pagar taxas de 108% do CDI, empatando com papéis de um ano e superando, em alguns casos, vencimentos de dois anos. Diante da falta de prêmio para alongar o prazo, a recomendação é ficar no curto prazo. 

“Com a curva atual, o incentivo para alongar prazo diminuiu bastante. Se o investidor recebe praticamente a mesma taxa em 3 ou 12 meses do que em 24 meses, ele perde flexibilidade sem ser adequadamente remunerado por isso”, afirma Corano.

Zanini reforça o argumento, citando a tabela regressiva do Imposto de Renda. “Como as taxas estão parecidas, o valor líquido para o prazo mais longo acaba ficando basicamente igual, não trazendo vantagem. A recomendação seria aproveitar as taxas de curto prazo para buscar outras oportunidades e reinvestir quando o cenário mudar”, diz o diretor da Ciano.

Retornos de CDBs indexados ao CDI entre 31/12/2025 e 30/01/2026
Prazo (meses) Taxa mínima (% CDI) Taxa média (% CDI) Taxa máxima (% CDI) Número de títulos Emissor da maior taxa
3 97,50% 100,15% 108,00% 52 Banco Pleno
6 97,50% 99,04% 103,00% 54 Paraná Banco
12 90,00% 99,80% 108,00% 99 Banco Original
24 96,85% 99,93% 106,00% 55 BancoSeguro
36 98,65% 100,74% 110,00% 62 Banco Pine
Fonte: Quantum Finance
Retornos de CDBs prefixados entre 31/12/2025 e 30/01/2026
Prazo (meses) Taxa mínima Taxa média Taxa máxima Número de títulos Emissor da maior taxa
3 14,63% 14,69% 14,74% 2 Stellantis Financiamentos
6 13,70% 13,96% 14,29% 31 ABC Brasil
12 12,65% 13,28% 14,50% 23 Sinosserra Financeira
24 12,41% 12,86% 14,05% 11 Sinosserra Financeira
36 12,51% 13,83% 16,50% 33 Facta Financeira
Fonte: Quantum Finance

O efeito Master nos CDBs de bancos médios

O ranking das maiores taxas de janeiro foi dominado por bancos médios e de nicho, como Banco Pine, Haitong, Pleno e Paraná Banco. Segundo os especialistas, os spreads elevados – chegando a 110% do CDI – não são apenas generosidade, mas uma necessidade de atrair capital após o susto do mercado com as liquidações do Banco Master e Will Bank.

“As pessoas começaram a olhar com mais atenção depois do caso do Banco Master. Para atrair esse recurso, o banco acaba precisando oferecer um spread mais alto”, pontua Plínio Zanini.

Para Corano, o prêmio compensa, desde que se respeite o limite do FGC. “O prêmio adicional de 8 a 10 pontos percentuais sobre o CDI reflete risco maior, mas é parcialmente mitigado pelo FGC. Para o investidor pessoa física, diversificando emissores e respeitando o limite de R$ 250 mil, esse prêmio tende a ser economicamente atrativo.”

O que esperar de fevereiro?

Para este mês, a projeção é de manutenção ou leve queda nas taxas, sem mudanças drásticas.

“A tendência é de leve compressão, mas não de uma queda abrupta. Janeiro costuma ser um mês de captação mais agressiva. Em fevereiro, parte dessa pressão diminui, mas os spreads devem seguir elevados enquanto o cenário permanecer instável e a competição por recursos continuar forte”, projeta Corano.

Zanini concorda que o fantasma das liquidações recentes manterá as taxas atrativas no curto prazo. “Ainda estamos com resquícios, o Banco Master está na mídia o tempo inteiro. Potencialmente, fevereiro deve ser um momento muito similar a este de janeiro”, conclui.

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