NFL: Líderes improváveis do Seahawks e Patriots tentam conquistar primeiro Super Bowl

Líderes de New England Patriots e Seattle Seahawks, os quarterbacks Drake Maye e Sam Darnold foram as terceiras escolhas dos drafts em seus respectivos anos de entrada na NFL. Mas tiveram caminhada bem diferente até a disputa do título no Super Bowl 60, que acontece hoje, às 20h30 (de Brasília), no Levi’s Stadium, na Califórnia (EUA).

Enquanto o primeiro mostrou a que veio logo na temporada de estreia e tem chance de ser campeão na segunda, aos 23 anos, o outro demorou a desabrochar: irregular no início da carreira, trocou de time várias vezes, sofreu com lesões e chegou a ser considerado uma decepção antes de dar a volta por cima, aos 28.

A reedição da final de 2015 — quando a equipe de New England levou a melhor por 28 a 24 — terá transmissão de Sportv, ESPN e Ge TV.

Campeões da Conferência Americana (AFC), os Patriots vivem uma reformulação, que tem em Maye seu símbolo. O atleta pode se tornar o quarterback mais jovem a vencer a liga, com 23 anos, cinco meses e nove dias. O recorde é de Ben Roethlisberger, campeão pelo Pittsburgh Steelers em 2006 aos 23 anos, 11 meses e três dias.

Escolhido em 2024, Maye deixou a faculdade para desembarcar em um time que vivia tempos sombrios. Desde a saída da lenda Tom Brady, em 2020, após levar a franquia à conquista de seus seis títulos, o New England amargava temporadas com mais derrotas que vitórias, via quarterbacks renomados não se firmarem e uma nova taça cada vez mais distante.

A chegada do novato, porém, trouxe a luz de volta. Maye encarou a pressão imposta pela “sombra” de Brady e mostrou sua qualidade já na temporada de estreia. Mas esbarrou no nível técnico do time como um todo, que esteve abaixo da rotação. Com novas peças e comandante — Mike Vrabel substituiu Jarod Mayo —, seu segundo ano nos profissionais já rendeu quase o dobro de jardas em passes (de 2,276 para 4,394).

— Se ele for campeão, será sem dúvidas um fenômeno. Não vou dizer que era algo esperado tão rapidamente — opina Antony Curti, comentarista de NFL do grupo Globo: — Maye tinha potencial e é muito nítido que sua ética profissional fez com que ele desse um salto já na segunda temporada. É raro ver um jogador ser protagonista tão jovem assim.

Lesões recentes

Já os Seahawks, campeões da Conferência Nacional (NFC), apostaram suas fichas em uma promessa que precisou de tempo para deslanchar. Sam Darnold começou no New York Jets, em 2018, cercado de expectativas por conta de sua passagem arrebatadora pelo futebol americano universitário. Mas, nas três temporadas que jogou na franquia, viu outros quarterbacks de sua geração, Josh Allen (no Buffalo Bills) e Lamar Jackson (no Baltimore Ravens), assumirem o protagonismo. Trocado para o Carolina Panthers, enfrentou lesões e flertou com o fracasso.

Darnold parecia fadado ao ostracismo quando mudou de equipe pela terceira vez e se tornou o terceiro reserva do San Francisco 49ers, em 2023. Mas usou o que seria um ano “perdido” para treinar os fundamentos novamente e voltar obstinado a provar seu valor. Foi para o Minnesota Vikings em 2024 e fez 35 touchdowns na temporada, mais do que as quatro anteriores somadas (27). Chegou ao Seattle em alta, mas ainda sem ser unanimidade. Entregou mais de 4 mil jardas em passes e 25 touchdowns na temporada regular e de quebra se juntou a Brady como os únicos a conduzirem dois times diferentes a 14 vitórias em anos consecutivos. Provou que o sucesso em Minnesota não era apenas uma fase.

— Se Darnold tiver problemas, talvez entre na velha espiral negativa que fez dele o quarterback que mais entregou a bola para o oponente nesta temporada. Mas a narrativa foi desmontada nos playoffs: ele jogou contra rivais fortes e não comprometeu. Creio que a confiança é justificável para o momento — diz Curti.

O quarterback, porém, não chegará ao Super Bowl 100% em forma por conta de uma lesão no músculo oblíquo do abdômen, sofrida em 15 de janeiro, que o fez participar de forma limitada dos treinos do início da semana. Maye também teve uma contusão recente, no ombro direito, na final da conferência contra o Denver Broncos, há duas semanas, mas treinou normalmente nos últimos dias.

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