JPMorgan inicia cobertura de C&A e Riachuelo com compra e ações sobem

O JPMorgan iniciou a cobertura de C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), manteve postura neutra para a Lojas Renner (LREN3) e destacou a C&A como sua principal escolha no setor. RIAA3 subiu 1,47%, a R$ 9,65, CEAB3 avançou 3%, a R$ 13,00, enquanto LREN3 fechou com ganhos de 1,97%, a R$ 15,50.

Segundo o banco, a Renner continua sendo o padrão de excelência do fast-fashion brasileiro, com produtividade por área de vendas significativamente superior, presença geográfica mais ampla e rentabilidade elevada, sustentadas por forte governança e liderança digital.

Paralelamente, o banco comenta que a C&A e Riachuelo vêm acelerando melhorias com mudanças na gestão, modernização de ativos e expansão em shoppings estratégicos, muitas vezes nos mesmos centros comerciais onde a Renner atua. A análise de sensibilidade do JPMorgan mostra que mesmo ganhos modestos em produtividade e área de vendas podem destravar valorização relevante para C&A e Riachuelo, que hoje ficam cerca de 22% e 50% atrás da Renner nesse indicador, respectivamente.

C&A e Riachuelo em transformação

Em contraste, C&A e Riachuelo atravessam processos profundos de mudança. A venda gradual da participação da Cofra deu maior autonomia à gestão da C&A, permitindo novo foco estratégico, modernização de lojas e retomada da expansão após anos de subinvestimento antes do IPO de 2021.

A Riachuelo, historicamente controlada pela família fundadora, passou para um modelo de gestão profissional, liberando capital de giro e simplificando a estrutura do negócio. Ambas agora contam com balanços mais fortes e baixa alavancagem.

Apesar da liderança da Renner, a competição é intensa. Segundo o JPMorgan, as três grandes redes têm cerca de 90% das lojas em shoppings, com a Renner dividindo aproximadamente 60% de suas localizações com a C&A e 67% com a Riachuelo. Os principais vetores de crescimento para C&A e Riachuelo são justamente ampliar a presença em shoppings de maior qualidade, muitas vezes replicando a localização da Renner, e reduzir o gap de produtividade, atualmente de cerca de 22% para a C&A e 50% para a Riachuelo em vestuário. A diferença é ainda maior quando se inclui o e-commerce.

O JPMorgan espera que a distância para a Renner continue relevante em seu cenário-base, mas avalia que os investimentos em sortimento de produtos, política de preços, cadeia de suprimentos e experiência em loja estão diminuindo esse hiato.

Hoje, C&A e Riachuelo ficam 34 e 55 pontos percentuais atrás da Renner, respectivamente, em produtividade de área de vendas de roupas, embora a tendência seja de fechamento gradual dessa lacuna. A vantagem digital da Renner deve persistir, especialmente diante da concorrência crescente de plataformas como TikTok e Instagram.

Potencial de valorização relevante para C&A e Riachuelo

Mesmo assim, o JPMorgan avalia que as melhorias em curso podem destravar valor significativo. A análise de sensibilidade indica que ganhos modestos de produtividade e margem já seriam suficientes para impulsionar as ações, já que os preços atuais refletem apenas evolução limitada.

O JPMorgan projeta crescimento anual composto do lucro por ação (EPS CAGR) em cinco anos de 9% para a Renner, cerca de 13% para a C&A e 17% para a Riachuelo. As receitas e o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do varejo devem crescer a taxas de 8% e 9% para a Renner, 8% e 12% para a C&A e 8% e 11% para a Riachuelo.

Apesar do capex mais elevado para C&A e Riachuelo, a análise por fluxo de caixa descontado (DCF) aponta criação expressiva de valor, com potenciais de valorização estimados em cerca de 25% para a Renner (preço-alvo de R$ 19 para dezembro de 2026), 75% para a C&A (preço-alvo de R$ 22) e 60% para a Riachuelo (preço-alvo de R$ 15,50).

Valuation

O JPMorgan disse que a C&A (CEAB3) é a principal recomendação do setor, combinando maior potencial absoluto de valorização e boa liquidez, que tende a melhorar à medida que a Cofra reduz sua participação. A empresa também negocia ao menor múltiplo do segmento, a cerca de 7,4 vezes o lucro estimado para 2026.

A Riachuelo (RIAA3) oferece upside relevante, mas é limitada pelo free float reduzido e menor liquidez. Já a Renner (LREN3) segue como opção defensiva, negociando a cerca de 9 vezes o lucro de 2026 e com dividend yield próximo de 6%, mas com momentum de crescimento e potencial de valorização inferiores aos das rivais.

O JPMorgan acrescenta que os valuations do setor continuam pouco exigentes: o fast-fashion brasileiro negocia, em média, a 9 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) de 2026, um desconto de 50% frente à média histórica de 15 anos. Pela análise de DCF, o segmento poderia reprecificar para múltiplos entre 10 vezes e 11 vezes lucro futuro, ainda abaixo do padrão histórico, mas cerca de 20% acima dos níveis atuais, sustentado principalmente pela melhora operacional de C&A e Riachuelo e, em menor grau, da Renner.

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