Mansões, uma ilha particular no Caribe, jatos privados e acesso direto a algumas das maiores fortunas do mundo faziam parte do dia a dia de Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em agosto de 2019. A origem desse dinheiro nunca ficou muito clara e gera curiosidade diante das investigações que estão em andamento nos EUA.
Ao longo dos anos, a mídia internacional publicou diversas reportagens que ajudaram a dimensionar esse patrimônio e mapear por onde o dinheiro circulava. Além disso, documentos judiciais divulgados nos EUA durante as investigações trouxeram números, contratos, nomes de peso e empresas ligadas a ele. Incluindo Donald Trump, Bill Gates e Elon Musk.
Mas para entender a construção da fortuna de Jeffrey Epstein, estimada em centenas de milhões de dólares, é preciso olhar mais para a engrenagem que funcionou ao longo de décadas do que para fatos pontuais que marcaram a sua história. O InfoMoney compilou as principais informações sobre isso.
1. Ele construiu sua fortuna fora do sistema tradicional de Wall Street
Epstein não fez carreira em grandes bancos ou em gestoras com presença pública relevante. Como já destacou a Forbes, sua atuação ocorreu fora do circuito mais visível de Wall Street, longe de rankings, relatórios ou produtos financeiros amplamente divulgados.
Dentro do mercado financeiro, Epstein operava em um espaço menos exposto, oferecendo serviços personalizados a clientes que não buscavam escala nem publicidade. Logo, seu trabalho não dependia de captar recursos de muitos investidores, mas de manter relações próximas com nomes extremamente ricos.
Esse posicionamento fora do sistema tradicional permitiu que Epstein se movimentasse com mais autonomia. Sem a pressão de acionistas, reguladores ou visibilidade pública constante, ele ganhou flexibilidade para estruturar contratos amplos, organizar empresas em diferentes jurisdições e cobrar pelos serviços que prestava de forma pouco padronizada.
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2. Modelo baseado em poucos clientes ultrarricos
A base da fortuna de Epstein era um grupo restrito de bilionários e famílias com patrimônios complexos. Reportagens da Forbes mostram que uma parcela significativa de sua receita veio de relacionamentos mantidos ao longo de muitos anos ou décadas em alguns casos.
Mais do que gerir recursos, Epstein se apresentava como alguém capaz de lidar com situações patrimoniais delicadas. Entravam neste pacote heranças bilionárias, estruturas familiares sensíveis, ativos espalhados por diferentes países e decisões que envolviam riscos fiscais, jurídicos e de reputação.
O profissional que lida com esse tipo de demanda deve ser absolutamente discreto e ser capaz de conquistar confiança pessoal. Em vez de soluções prontas, ele oferecia acompanhamento próximo, atenção exclusiva e disponibilidade quase permanente. Para famílias com fortunas globais, esse tipo de relação tinha valor próprio, difícil de mensurar e ainda mais difícil de substituir.
Esse modelo tornava sua atuação pouco comparável aos serviços financeiros tradicionais e ajuda a entender por que seus honorários frequentemente superavam, com folga, os valores praticados por bancos e escritórios convencionais.
Alguns bilionários ligados a Epstein
| Nome | Setor | Valor estimado |
|---|---|---|
| Les Wexner | Varejo (L Brands) | Mais de US$ 200MM |
| Leon Black | Private equity (Apollo) | Cerca de US$ 170MM |
| Glenn Dubin | Hedge fund | Cerca de US$ 15MM |
| Ariane de Rothschild | Financeiro | Cerca de US$ 25MM |
| Mortimer Zuckerman | Imobiliário e mídia | Até US$ 20MM |
(Valores aproximados, segundo reportagens e documentos públicos.)
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3. Honorários sustentaram o crescimento da fortuna
A riqueza de Epstein não veio de grandes apostas no mercado financeiro ou de ganhos expressivos com ações e títulos. Investigações da Forbes e do New York Times indicam que o principal motor de sua fortuna foram honorários recorrentes cobrados de clientes ultrarricos.
Esses pagamentos estavam associados a serviços descritos de forma ampla nos contratos, que mencionavam planejamento sucessório, reorganização de ativos e aconselhamento estratégico. Só que o escopo raramente aparecia detalhado, e isso tornava difícil para quem via de fora entender o que ele entregava exatamente e principalmente, comparar valores com práticas de mercado.
Segundo especialistas ouvidos por esses veículos, os montantes pagos a Epstein costumavam superar em muito os honorários de grandes escritórios de advocacia ou contabilidade para serviços semelhantes. Por sua vez, o modelo era eficiente do ponto de vista financeiro: contratos longos, receitas previsíveis e crescimento contínuo do patrimônio pessoal, independentemente do desempenho dos mercados.
4. Estruturas offshore concentraram receitas e patrimônio
Grande parte dessa engrenagem funcionou por meio de empresas registradas fora do território continental dos Estados Unidos, especialmente nas Ilhas Virgens Americanas. As duas principais eram Financial Trust Company e Southern Trust Company, e concentraram receitas, contratos e ativos ao longo de anos.
Reportagens do Wall Street Journal e da Forbes mostram que essas estruturas facilitaram a organização de trusts, a centralização de honorários e a gestão de recursos em diferentes jurisdições. Além disso, contribuíram para manter as operações longe do escrutínio público mais direto.Entre o fim dos anos 1990 e 2018, essas empresas geraram mais de US$ 800 milhões em receitas, combinando dividendos e taxas cobradas de clientes ultrarricos. Esse volume ajuda a explicar como o patrimônio pessoal de Epstein chegou a centenas de milhões de dólares.
A fortuna de Epstein (resumo):
| Patrimônio estimado na morte | US$ 600 milhões |
|---|---|
| Período de maior crescimento | Fim dos anos 1990 a 2018 |
| Base do modelo | Poucos clientes bilionários |
| Principal fonte de receita | Honorários recorrentes |
| Empresas centrais | Financial Trust e Southern Trust |
| Estrutura jurídica | Ilhas Virgens Americanas |
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