Expirou nesta semana o tratado entre Estados Unidos e Rússia de limitação de armas nucleares, conhecido como New START, mas os americanos já deixaram claro que uma renovação não será possível sem a inclusão da China. O Secretário de Estado Marco Rubio também disse que não aceitará que os EUA sejam prejudicados em um futuro novo acordo. “Sempre negociaremos a partir de uma posição de força”, escreveu hoje na plataforma Substack.
Rubio criticou no texto leituras feitas por defensores do controle de armas, algumas da mídia, de que a expiração do acordo seria um sinal de que os Estados Unidos estão iniciando uma nova corrida armamentista nuclear.
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“Essas preocupações ignoram que a Rússia deixou de implementar o tratado New START em 2023, após anos desrespeitando seus termos. Um tratado exige pelo menos duas partes, e a escolha diante dos Estados Unidos era se vincular unilateralmente ou reconhecer que uma nova era exige uma nova abordagem”, afirmou
Ele defendeu que um novo pacto não pode ser como o START, mas algo novo, ou seja, um tratado que reflete que os EUA em breve poderão enfrentar não um, mas dois pares nucleares: Rússia e China.
Rubio citou que a expansão do arsenal nuclear da China desde que o Novo START entrou em vigor tornou obsoletos os modelos anteriores de controle de armas, baseados em acordos bilaterais entre Estados Unidos e Rússia.
“Desde 2020, a China aumentou seu estoque de armas nucleares de menos 200 ogivas para mais de 600, e está no caminho para ter mais de 1.000 ogivas até 2030. Um acordo de controle de armas que não leve em conta o aumento da China, que a Rússia apoia, sem dúvida deixará os Estados Unidos e nossos aliados menos seguros”, argumentou.
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O Secretário lembrou que, durante a Guerra Fria, poucas negociações se mostraram tão complexas quanto as entre os Estados Unidos e a União Soviética para limitar e reduzir seus vastos arsenais nucleares. E que as conversas exigiam confiança entre adversários que tinham pouca razão para acreditar nas palavras uns dos outros, portanto dependiam de sistemas intrincados e constantes para verificar a conformidade.
Ainda assim, recorda, os estadistas americanos perseveraram e alcançaram uma série de acordos, primeiro com a União Soviética e depois com a Federação Russa, que deixaram os Estados Unidos mais seguros.
Princípios de Trump
Com esse percepção de que o mundo mudou, Rubio frisou que o presidente Donald Trump tem sido “claro, consistente e inequívoco” ao afirmar que o controle de armas futuro deve abordar não um, mas ambos os arsenais nucleares equivalentes. “Nosso apelo ao controle multilateral de armas nucleares e às negociações de estabilidade estratégica, apresentado hoje em Genebra, reflete os princípios que o presidente Trump estabeleceu”, afirmou.
O primeiro desses princípios, segundo Rubio, é que o controle de armas não pode mais ser uma questão bilateral entre os Estados Unidos e a Rússia. “Como o Presidente deixou claro, outros países têm a responsabilidade de ajudar a garantir a estabilidade estratégica, nenhum mais do que a China.”
Em segundo lugar, ele disse que não serão aceitos termos que prejudiquem os Estados Unidos ou ignorem o descumprimento na busca por um acordo futuro. “Deixamos nossos padrões claros e não os comprometeremos para alcançar o controle de armas pelo simples uso do controle de armas”, completou.
O terceiro ponto citado é que os EUA sempre negociarão a partir de uma posição de força, disse Rubio. “Rússia e China não devem esperar que os Estados Unidos fiquem parados enquanto eles fogem de suas obrigações e expandem suas forças nucleares. Manteremos uma dissuasão nuclear robusta, credível e modernizada. Mas faremos isso enquanto buscamos todos os caminhos para satisfazer o desejo genuíno do Presidente por um mundo com menos dessas armas terríveis”, explicou.
Para o Secretário de Estado, esse processo pode levar tempo, uma vez que acordos anteriores, incluindo o New START, levaram anos para serem negociados e foram construídos sobre décadas de precedentes. “No entanto, só porque algo é difícil não significa que não devemos persegui-lo ou nos contentar com menos. Ninguém entende que acordos difíceis são frequentemente os únicos que valem mais a pena do que o presidente Trump”, defendeu.
“Hoje, em Genebra, estamos dando os primeiros passos rumo a um futuro onde a ameaça nuclear global é reduzida na realidade, e não apenas no papel. Esperamos que outros se juntem a nós.”
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