5 Fev (Reuters) – A turbulência no mercado de moedas digitais está pressionando as ações de empresas em todo o mundo que possuem bitcoin e outras criptomoedas como modelo de negócio, gerando preocupações sobre possíveis tensões mais amplas no setor.
O número de empresas de capital aberto que investiram em criptomoedas na esperança de que elas se valorizassem disparou no ano passado.
Muitas foram impulsionadas pela postura favorável às criptomoedas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua campanha eleitoral e inspiradas pelo sucesso meteórico da Strategy, que começou como uma empresa de software, mas passou a acumular bitcoins em 2020.
No entanto, preocupações com as avaliações das empresas de inteligência artificial e a incerteza sobre o caminho dos cortes nos juros dos EUA estão pesando sobre os ativos de risco, empurrando o bitcoin para seu nível mais baixo desde novembro de 2024 e fazendo com que muitas empresas de “tesouraria de ativos digitais” ou “DAT”, na sigla em inglês, vacilem.
As ações da Strategy, a mais conhecida dessas compradoras de bitcoin, caíram de US$457 em julho para US$111,27 nesta quinta-feira, o menor valor desde agosto de 2024.
Em dezembro, a Strategy reduziu a previsão de lucros para 2025, citando um desempenho fraco do bitcoin, e anunciou planos para criar uma reserva para apoiar o pagamento de dividendos. A empresa disse que esperava reportar entre US$6,3 bilhões de lucro e US$5,5 bilhões de prejuízo para o ano, em comparação com previsão anterior de lucro líquido de US$24 bilhões.
As ações da britânica Smarter Web Company, outra compradora de bitcoin, também foram duramente atingidas nesta quinta-feira, caindo quase 18%. As compradoras rivais de bitcoin Nakamoto e a japonesa Metaplanet caíram quase 9% e 7%, respectivamente. No Brasil, a Méliuz caía 4,5%, a R$3,41. A OrangeBTC recuava 5%, a R$6,47.
O bitcoin acumula queda de quase 20% desde o início do ano, com a intensificação da pressão de venda após Trump nomear Kevin Warsh como o próximo presidente do Fed, o que, segundo analistas, pode levar a um balanço patrimonial menor do Fed — algo negativo para ativos de risco como criptomoedas.
O bitcoin perdeu todos os seus ganhos desde a eleição de Trump, que prometeu durante a campanha eleitoral reformular as políticas dos EUA relativas aos ativos digitais. Às 17h14, a maior criptomoeda do mundo era negociada em queda de 10,5%, a US$64.917.
“À medida que o bitcoin continua sua queda abaixo da barreira psicológica de US$70.000, fica claro que o mercado de criptomoedas está agora em modo de capitulação total”, disse Nic Puckrin, analista de investimentos e cofundador da plataforma de análise de criptomoedas Coin Bureau.
“Se os ciclos anteriores servirem de referência, isso não é mais uma correção de curto prazo, mas sim uma transição… e essas transições geralmente levam meses, não semanas.”
EMPRESAS QUE ESTOCAM OUTROS TOKENS TAMBÉM CAEM
Embora os investidores institucionais possam comprar tokens diretamente, os DATs oferecem a oportunidade de alavancar os retornos e permitir que investidores mais cautelosos obtenham exposição às criptomoedas por meio de empresas públicas reguladas.
Ainda assim, a pressão sustentada sobre as ações das empresas de entesouramento de criptomoedas pode complicar a capacidade delas em levantar capital adicional para comprar mais tokens, o ponto crucial de seu modelo de negócios.
Muitos executivos dessas empresas afirmam que seu sucesso estará enraizado em sua capacidade de tomar decisões de investimento inteligentes e estão buscando novas maneiras de aumentar o valor para os acionistas, informou anteriormente a Reuters.
As empresas que acumulam outros tokens de criptomoedas também estavam sendo negociadas a preços mais baixos nesta quinta-feira. A Alt5 Sigma, companhia que anunciou no ano passado que acumularia o token WLFI da família Trump, caía 8,4%. A SharpLink Gaming, que detém ether, caía 8%, enquanto a Forward Industries, que detém solana, perdia quase 6%.
The post Queda do bitcoin abala empresas que aderiram à onda de acumulação de criptomoedas appeared first on InfoMoney.
