Ações da Volvo Cars desabam 25% após balanço e caminham para pior pregão da história

Volvo

Uma desvalorização histórica atingiu os papéis da Volvo Cars, na Suécia: uma queda de 25% na manhã desta quinta-feira (5), aproximando a fabricante do pior desempenho de suas ações desde que começaram a operar na Bolsa de Estocolmo.

A queda brusca ocorreu em decorrência da divulgação do balanço do quarto trimestre, que revelou um lucro operacional de 1,8 bilhão de coroas suecas (US$ 200,46 milhões), valor que representa uma baixa de 68% em relação ao volume obtido no mesmo período do ano anterior.

Controlada pelo grupo chinês Geely Holding, a montadora apontou que o resultado negativo foi provocado pela combinação de baixa procura dos consumidores, oscilações no câmbio e o impacto tarifário dos Estados Unidos.

À CNBC, o CEO da Volvo Cars, Hakan Samuelsson, disse que a concorrência está muito acirrada, principalmente por causa da China. “Todos os nossos colegas europeus enfrentam o mesmo problema”, disse. Além disso, ele acrescentou que a suspensão dos incentivos para veículos elétricos nos EUA e na China também ajudaram para “um ambiente externo muito desafiador”.

“Mas, internamente, fizemos um excelente trabalho na redução de custos e na garantia de um fluxo de caixa positivo, e eu destacaria isso como o ponto positivo mais importante que alcançamos durante o ano”, afirmou.

Projeções de especialistas do UBS indicam que as estimativas para o lucro antes de juros e impostos (EBIT) em 2026 devem sofrer cortes entre 10% e 15%. Segundo os analistas, essa revisão negativa pode ser ainda mais profunda, já que a margem operacional da montadora encerrou o último trimestre de 2025 próxima do zero.

A situação financeira da companhia é agravada pelo desempenho no mercado de capitais, onde uma queda superior a 11,2% em apenas um pregão apontaria o momento mais crítico já registrado na trajetória de negociações da fabricante.

O cenário de pessimismo foi intensificado após a Volvo Cars apresentar números que não atingiram as expectativas do mercado para o encerramento do ano passado.

Um ano difícil pela frente

A Volvo Cars prevê que 2026 será mais um ciclo de grandes desafios. A empresa espera enfrentar uma confiança reduzida por parte dos consumidores, além de incertezas nas regulamentações e uma pressão constante nos preços de mercado.

Mesmo com esse cenário, a montadora projeta um crescimento no volume de entregas do EX60 durante a segunda metade do ano. Esse novo SUV médio funciona de forma totalmente elétrica.

Outro ponto sensível são as tarifas impostas pelos Estados Unidos, já que a fabricante é vista como uma das marcas europeias com maior exposição a essas taxas.

O cenário atual vem de um acerto comercial preliminar fechado em julho do ano passado entre a União Europeia e os EUA. Na época, o governo Trump fixou um imposto geral de 15% sobre a maioria dos produtos europeus.

Esse percentual de 15% significou um alívio em comparação à ameaça anterior de 30%. O índice também ficou quase na metade da taxa de 27,5% que era prevista especificamente para o segmento automotivo da Europa.

Na ocasião, representantes do setor industrial receberam os termos do acordo com cautela. Esses grupos manifestaram forte preocupação com o aumento de custos gerado pelas novas exigências fiscais.

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