Banco Mundial prevê recuo de 2% no índice de preços agrícolas em 2026

O índice de preços agrícolas calculado pelo Banco Mundial deve recuar cerca de 2% em 2026. Segundo as projeções divulgadas nesta semana, os preços de alimentos e de matérias-primas agrícolas devem permanecer estáveis no geral ao longo do ano – à medida que o crescimento da oferta deve acompanhar a demanda — mas preços de bebidas (como café e cacau) devem cair cerca de 7%, com uma estimada expansão da oferta.

O Banco Mundial listou os fatores que devem afetar os preços das commodities agrícolas ao longo do ano, como o comportamento do PIB global, a desvalorização o dólar ante outras moedas, os custos dos insumos, a demanda por biocombustíveis e as políticas comerciais agressivas praticadas pelos países.

Segundo a publicação, riscos de alta decorrentes de eventos climáticos extremos, menor tensão comercial envolvendo diversas commodities referenciadas nos EUA (particularmente soja) e custos de insumos acima do esperado, como gás natural para fertilizantes, têm sido compensados por riscos de baixa relacionados à demanda mais fraca por biocombustíveis e a um crescimento global mais moderado.

Veja abaixo uma projeção para cada um desses fatores:

Crescimento global

As projeções de preços agrícolas assumem que o crescimento econômico global vai diminuir levemente no ano, de 2,7% em 2025 para 2,6 em 2026. Para os especialistas do Banco Mundial, essa queda modesta destaca a resiliência da economia global frente às maiores tensões comerciais e às incerteza de políticas, apoiada por aumento de estoques, forte apetite por risco e os altos investimentos em inteligência artificial.

No entanto, eles alertam que os riscos para as perspectivas de crescimento permanecem inclinados para o lado negativo. “Uma atividade global mais fraca do que o esperado reduziria a demanda por commodities e pressionaria para baixo os preços dos alimentos — em especial óleos comestíveis e carne bovina, que tendem a ser mais sensíveis às condições econômicas globais do que outras commodities alimentares.”

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Movimentos do dólar americano

Os movimentos do dólar também ajudarão a moldar os preços das commodities. O Banco Mundial lembra que o dólar se desvalorizou cerca de 6% em relação a uma cesta de principais moedas na primeira metade de 2025 e, desde então, se estabilizou – não foi citada a nova onde depreciação da moeda nesse início de ano. “Como a maioria das commodities é precificada em dólares, um dólar mais fraco geralmente sustenta preços mais altos das commodities em dólar, enquanto um dólar mais forte tende a pressioná-los para baixo.”

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Política monetária

A política monetária também influenciará a dinâmica dos preços das commodities, destaca o Banco Mundial. A taxa básica de juros dos Estados Unidos caiu de 5,3%, em 2024, para 3,6% no fim de dezembro de 2025 – tendo sido mantida nesse patamar na reunião de janeiro do Federal Reserve.

Os especialistas lembram que taxas de juros mais baixas geralmente sustentam os preços das commodities, ao incentivar fluxos de investimento, reduzir custos de financiamento e — indiretamente — exercer pressão de baixa sobre o dólar americano. “Como resultado, tanto o ritmo quanto a magnitude dos movimentos futuros de política monetária devem ser fatores-chave na dinâmica dos preços das commodities.”

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Políticas comerciais

Mudanças em políticas comerciais e tarifas entre as principais economias provocaram fortes oscilações nos preços das commodities em 2025, diz o Banco. Mais notavelmente, o recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e China ampliou diferenças de preço e intensificou a diversificação de rotas comerciais no mercado global de soja na segunda metade do ano. “O arrefecimento dessas tensões no fim de 2025 ajudou a reduzir esses diferenciais. Uma retomada de tensões comerciais semelhantes poderia novamente desorganizar os mercados de commodities”, diz o Banco Mundial.

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Intensidade do La Niña

As projeções de preços agrícolas no cenário base assumem um episódio de La Niña fraco e de curta duração. “Se o La Niña se revelar mais forte ou mais persistente do que o esperado, poderá trazer condições mais quentes e secas do que o normal para importantes regiões agrícolas — incluindo Argentina, sul do Brasil e costa do Golfo dos EUA. Esse padrão climático pode prejudicar a produção de culturas importantes como milho, trigo e soja, elevando os preços acima das projeções atuais.”

Intensidade do El Niño e da La Niña desde 1990

Intensidade do El Niño e da La Niña (Imagem: ENSO Index/elaboração do Banco Mundial)

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Custos de insumos

Os preços de fertilizantes subiram 18% em 2025, impulsionados por forte demanda, restrições comerciais e falhas de produção, diz o blog do Banco Mundial. Olhando adiante, a projeção é que os preços caiam cerca de 5% em 2026, assumindo que a China continue a relaxar os limites de exportação de fertilizantes nitrogenados e fosfatados — mudança iniciada em setembro de 2025.

“Essa perspectiva, porém, permanece vulnerável a reveses. Uma reversão no afrouxamento das exportações, preços mais altos de gás natural ou uma demanda mais forte do que o esperado podem manter os custos de fertilizantes elevados e empurrar os preços dos alimentos acima das projeções atuais”, pondera o Banco Mundial.

Demanda por biocombustíveis

A crescente conversão de alimentos em biocombustíveis está moldando cada vez mais os mercados agrícolas, do Banco Mundial em tom de alerta. Em 2025, os preços de óleos comestíveis foram sustentados pelo aumento do uso doméstico como insumo para biodiesel, impulsionado por mandatos de mistura mais elevados no Brasil, aumentos planejados na Indonésia e o fim dos créditos tributários dos EUA para biocombustíveis importados. “Essa sustentação deve persistir, mas uma queda nos preços do petróleo bruto ou a flexibilização dos requisitos de mistura pode conter a demanda e pressionar os preços para baixo.”

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