‘Não funciona entrar na favela atirando’, diz diretor da HRW no Brasil

O Brasil precisa rever sua estratégia de combate às organizações criminosas e à infiltração de facções nas instituições públicas. A recomendação é da organização Human Rights Watch, que lançou ontem seu Relatório Mundial 2026. Em coletiva ontem, César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, disse que a política de segurança baseada no uso irrestrito da força letal pela polícia tem falhado.

— (Pedimos) propostas que realmente desmantelem grupos criminosos, que atuem com base em inteligência, na investigação independente para identificar essas ligações ou vínculos entre grupos criminosos e agentes do Estado e a infiltração na economia legal. O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos. Isso só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco — disse César Muñoz.

Na 36ª edição do documento, o órgão fez uma análise da situação dos direitos humanos em mais de cem países. Para o Brasil, a organização propõe que as autoridades façam investigações independentes, promovam reformas na polícia e se baseiem em evidências científicas para propor novas políticas de segurança pública.

Inteligência e coordenação entre os órgãos

Essas mudanças, segundo a organização, têm o potencial de melhorar a coordenação entre órgãos federais e estaduais para enfrentar o tráfico de armas, a lavagem de dinheiro e as fontes de renda das organizações criminosas.

Investigações recentes mostraram como o PCC se infiltrou em setores da economia formal para aumentar seus lucros e lavar dinheiro. A Carbono Oculto, operação de maior impacto, revelou conexões do crime organizado com o sistema financeiro e o controle completo da cadeia de combustíveis. Já a Fim de Linha expôs os tentáculos do PCC em empresas de transporte contratadas pela Prefeitura de São Paulo.

O relatório da HWR destaca a preocupação crescente dos brasileiros com a segurança pública, como mostram pesquisas recentes. E a necessidade de que o tema seja tratado de forma prioritária na campanha eleitoral para presidente, governadores e legisladores, em outubro.

O relatório ressalta que, no último ano, as polícias mataram 6.519 pessoas no Brasil. A violência policial é maior entre os negros, que têm 3,5 vezes mais chances de se tornarem vítimas do que os brancos.

Ainda de acordo com o documento, os abusos policiais e a corrupção dessas corporações criam um clima de desconfiança do brasileiro em relação às forças de segurança e dificultam a colaboração da população com as investigações.

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