Indicações ao BC, correção e bancos: o que faz o Ibovespa cair quase 3% nesta quarta

Painel de cotações da B3, em São Paulo

O Ibovespa iniciou a sessão desta quarta-feira (4) estável, na máxima aos 185.670,99 pontos, mas logo foi para o terreno negativo, perdendo esta faixa. Durante a tarde, a baixa piorou, com o índice caindo quase 3%: às 15h55 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa caía 2,82%, a 180.431 pontos. A repercussão das indicações do Banco Central, um cenário de correção após novos recordes e a queda dos bancos levam a uma queda forte dos ativos na sessão.

No Brasil, a safra de balanços começou hoje com o Santander Brasil (SANB11), apresentando crescimento do lucro no último trimestre de 2025 e da inadimplência. Também ficam no foco temores fiscais. Nesta terça-feira foram aprovados o programa Gás do Povo e um pacote de propostas que amplia remuneração e bônus de servidores do Legislativo, elevando gastos federais.

Por volta das 11 horas, o Ibovespa aprofundou o ritmo de queda para mais de 1%. “É um rebote depois das altas. Prometia uma abertura melhor, mas virou”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. “Isso não significa que a tendência positiva tenha cessado”, pondera Spiess.

De acordo com a equipe da Ágora Investimentos, sinais de exaustão já começam a surgir, como observado no comportamento do Ibovespa no pregão da véspera, embora ainda tenha encerrado o dia, novamente, em máxima histórica.

Ainda assim análise gráfica da corretora pontua que o Ibovespa ter fechado acima da região dos 185 mil pontos sugere que o mercado ainda encontra demanda relevante.

Ontem, o principal indicador da B3 fechou em alta de 1,58%, aos 185.674,43 pontos, depois de ter tocado ao longo da sessão a marca dos 187 mil pontos pela primeira vez, diante do bom humor de investidores estrangeiros. O movimento refletiu a confirmação na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de início de cortes da Selic em março, enquanto nos EUA foi de cautela com o setor de tecnologia.

Ainda em destaque, está o fim da paralisação parcial nos EUA, sancionado pelo presidente Donald Trump, que pode destravar as divulgações de dados: o relatório de empregos payroll sairá no próximo dia 11.

Nesta quarta-feira, saiu pesquisa ADP de emprego no setor privado norte-americano. Foram criados 22 mil empregos em janeiro, ante expectativas de analistas de geração de 45 mil postos de trabalho. “O dado abaixo do esperado dá margem para retomada do ciclo de queda dos juros pelo Fed Federal Reserve”, diz Spiess.

Em Nova York, o Nasdaq cai forte refletindo pressão sobre a AMD depois de projeções fracas, enquanto investidores aguardam o balanço da Alphabet do quarto trimestre do ano passado, após o fechamento dos mercados. “Lá fora também não ajuda muito devido a frustração com resultados de algumas empresas do setor de tecnologia, que não têm vindo muito bons. Aqui, o crescimento da inadimplência do Santander Brasil é um alerta”, avalia Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Warren Rena DTVM.

Por aqui, o Santander Brasil (SANB11) apresentou o maior lucro trimestral em quatro anos, de R$ 4,1 bilhões no último trimestre de 2025, alta de 6% em um ano e em linha com as previsões. A inadimplência subiu meio ponto porcentual em 12 meses, diante da pressão sobre consumidores de baixa renda e pequenas empresas, diante do cenário de taxa Selic em 15,00% ao ano.

A taxa de inadimplência da carteira de crédito do Santander Brasil para atrasos acima de 90 dias fechou o quarto trimestre de 2025 em 3,7%, comparado com 3,2% em igual período do ano anterior e 3,4% no terceiro trimestre de 2025. As ações SANB11 caem 3,26%, enquanto Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) tinham baixa de mais de 4%; já Banco do Brasil (BBAS3) caía 2,5%.

Também seguem no radar as indicações para diretorias no Banco Central. Conforme relatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está inclinado a nomear os economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para cargos de diretores do BC.

Conforme duas pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters, o presidente provavelmente endossará as indicações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apesar da resistência dentro do Banco Central e de alguns setores do mercado financeiro.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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