Smart Fit: concorrência fica mais acirrada, mas analistas mantêm compra para ações

O acirramento da concorrência no setor de academias tem sido uma preocupação recorrente dos investidores da Smart Fit (SMFT3). Em janeiro, as ações da rede chegaram a recuar cerca de 8% em um único pregão após declarações de executivos, em evento fechado, apontarem dificuldades para expandir as margens neste ano, enquanto o cenário competitivo mais difícil estava no radar.

Nesse contexto, o Bradesco BBI divulgou um estudo acompanhando a evolução competitiva nos mercados-chave da Smart Fit e concluiu que, no Brasil, a concorrência permanece acirrada em microrregiões, com aumento do número de unidades da SmartFit com algum competidor relevante num raio de 0,5 km, enquanto as faixas mais amplas mostram leve alívio. Já no México o ambiente competitivo segue mais benigno, com densidade significativamente menor que no Brasil e pouca variação na sobreposição com concorrentes, reforçando um cenário mais estável.

Segundo o BBI, os dados de janeiro reforçam a leitura de que a concorrência no Brasil continua elevada, especialmente em áreas mais densas, algo que já está incorporado em suas premissas mais conservadoras para margens de caixa no país. No México, por outro lado, o quadro segue mais equilibrado, com expansão moderada dos concorrentes e baixa pressão competitiva.

No agregado, o BBI segue vendo a SmartFit (SMFT3) como uma das melhores oportunidades de carrego (ação que tende a recompensar o investidor simplesmente por carregá-la, desde que o fundamento siga se materializando) dentro de sua cobertura, sustentada por um perfil de crescimento e retorno atrativo, além do múltiplo PEG (relação entre preço/lucro e crescimento do lucro) mais descontado de 0,4 vez no horizonte 2026 e 2028. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 32,00.

SmartFit versus TotalPass

O BTG Pactual afirma que a Smart Fit combina dois modelos distintos: o B2C (business to consumer, venda direta ao consumidor, baseada em assinaturas mensais) e o TotalPass, um agregador B2B (negócio voltado a empresas) que monetiza o uso por check-in e escala com custos concentrados em G&A (despesas gerais e administrativas).

Segundo o banco, o TotalPass já se tornou um negócio de rede relevante, com ampla presença no Brasil e no México, e foco em expandir cobertura e adoção corporativa. Embora maior participação do TotalPass possa pressionar tíquete médio e margem das academias, o BTG destaca que o modelo oferece ROIC (retorno sobre o capital investido) mais elevado, crescimento asset light (com baixa necessidade de investimento em ativos físicos) e maior escalabilidade de lucros, enquanto o B2C prioriza ARPU (receita média por usuário) e retenção de clientes.

O banco acrescenta que é fundamental distinguir duas margens: a das academias Smart Fit, em que o TotalPass pode diluir o tíquete de entrada, mas ajuda a elevar a utilização da capacidade, e a da própria plataforma TotalPass, onde a escala reduz custos e melhora a rentabilidade.

Segundo a companhia, a lucratividade do TotalPass cresce com o ganho de escala, tendo as despesas gerais e administrativas como principal linha de custos, e volumes maiores permitem que a plataforma remunere melhor a Smart Fit. No nível da plataforma, o TotalPass apresenta poucos custos variáveis e uma estrutura dominada por despesas administrativas e tecnologia, que se diluem à medida que o negócio cresce. Para o BTG, essa distinção é crucial: o TotalPass não tem margem mais alta dentro das academias, mas possui margem estruturalmente superior como negócio independente.

O BTG Pactual também reiterou recomendação de compra para ações da Smart Fit, com preço-alvo de R$ 30.

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