Em um ambiente de negócios marcado por pressão por resultados, transformações no mundo do trabalho e maior escrutínio sobre práticas corporativas, a liderança passou a ocupar um papel central na estratégia de empresas reconhecidas pelo Top Employers, certificação global que avalia práticas de gestão de pessoas. Nesse recorte, formar líderes capazes de engajar equipes, tomar decisões responsáveis e sustentar o desempenho no longo prazo tornou-se um elemento estruturante da agenda de RH.
Nas companhias certificadas, a liderança deixa de ser tratada apenas como atributo individual e passa a ser abordada como um sistema de gestão, apoiado em processos, métricas e desenvolvimento contínuo. A lógica é integrar o papel dos líderes à estratégia do negócio, à cultura organizacional e às políticas de pessoas, garantindo consistência entre discurso, decisões e práticas do dia a dia.
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Esse movimento aparece entre as empresas reconhecidas pelo Top Employers Institute, cuja edição mais recente foi divulgada com exclusividade pelo InfoMoney. Entre os pilares avaliados pela certificação, a liderança ganha relevância por refletir como decisões são tomadas, como a estratégia é desdobrada internamente e de que forma as equipes são conduzidas. Veja mais:
- Segurança psicológica, ética e consistência
- Propósito e desenvolvimento de pessoas
- Resultados contam, mas o “como” importa
- Liderança integrada à estratégia e à cultura
- Uma bússola para o mercado
Segurança psicológica, ética e consistência

Entre as empresas ouvidas pelo InfoMoney, um ponto recorrente é a ênfase na criação de ambientes que favoreçam diálogo, aprendizado e tomada de decisão responsável. Na prática, isso envolve estímulo a feedbacks frequentes, escuta ativa e reflexão sobre erros e acertos, sem dissociar essas práticas da entrega de resultados.
Na BAT, a liderança é estruturada em torno de intencionalidade, consistência e decisões sustentáveis. “Resultados importam, mas não caminham sozinhos”, afirma Monique Stony, diretora de Recursos Humanos da empresa. Segundo ela, o foco está em líderes capazes de equilibrar performance, ética e impacto humano, em um contexto de transformação acelerada.
Propósito e desenvolvimento de pessoas

Na Boehringer Ingelheim, a liderança é tratada como uma extensão direta do propósito do negócio. A empresa adota uma gestão mais horizontal, baseada em diálogo aberto e segurança psicológica, com investimentos em trilhas de aprendizagem, mentorias e mobilidade interna.
“Liderar é conectar pessoas ao impacto real do trabalho que realizam”, propõe Esteban Blanco Ziegler, diretor de Recursos Humanos da companhia no Brasil. De acordo com ele, decisões estratégicas, metas e cultura precisam estar alinhadas à forma como os líderes desenvolvem talentos e conduzem processos de mudança.
Resultados contam, mas o “como” importa

Nas empresas certificadas, a promoção de lideranças costuma considerar uma combinação de fatores. Na ADM, por exemplo, a construção de líderes ocorre ao longo do tempo, com forte foco em sucessão interna e avaliações que vão além dos indicadores numéricos.
“Metas e resultados são acompanhados de avaliações comportamentais e de engajamento”, explica Antonio Paixão, diretor de Recursos Humanos da ADM no Brasil. A empresa utiliza ferramentas como avaliações 360°, pesquisas de clima e planos de desenvolvimento individual para acompanhar o impacto da liderança sobre as equipes.
Liderança integrada à estratégia e à cultura

Na AXA, a liderança é tratada como um pilar estratégico do negócio e construída de forma contínua. “Estar na lista de Top Employers em liderança é consequência de uma construção consistente, não de uma ação pontual”, garante Alexandre Campos, vice-presidente de RH, Jurídico, Compliance e ASG da companhia.
Segundo ele, o desenvolvimento dos gestores parte de expectativas claras sobre comportamento, responsabilidade nas decisões e foco genuíno nas pessoas. Essa abordagem se reflete nas metas, nos rituais de gestão e nas conversas de desempenho. “Os líderes são convidados a refletir sobre o impacto que geram, não apenas sobre os resultados entregues”, revela Campos.
Na AXA, feedbacks estruturados, pesquisas de clima e espaços de diálogo reforçam uma cultura que valoriza aprendizado contínuo, ética e equilíbrio entre performance e cuidado com as pessoas.
Uma bússola para o mercado
A forma como as empresas certificadas tratam a liderança indica uma mudança relevante no modelo de gestão de pessoas adotado nesse grupo. Nelas, a liderança passa a ser observada não apenas pela entrega de resultados, mas pela coerência entre decisões, comportamentos e cultura organizacional.
Nos próximos capítulos desta série, o InfoMoney vai detalhar como temas como desenvolvimento, cultura e bem-estar se conectam às práticas de gestão adotadas pelas empresas reconhecidas pelo Top Employers. A proposta é mostrar como esses pilares se desdobram em decisões, processos e políticas internas no longo prazo.
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