O Ibovespa encerrou o mês de janeiro em forte alta de 12,56%, guiado pelo fluxo estrangeiro, ainda que tenha registrado uma última sexta-feira de queda firme, em uma sessão marcada por volatilidade e realização de lucros.
Neste cenário, a maior parte das ações do índice fechou o primeiro mês do ano com ganhos, sendo que apenas 10 tiveram perdas, sendo que apenas 2 caíram mais de 10%: Vivara (VIVA3) e Hapvida (HAPV3). Enquanto isso, Cogna (COGN3), Raízen (RAIZ4) e Petrobras (PETR3;PETR4) estiveram entre as maiores altas, sendo que 12 subiram mais de 20%.
Confira os destaques:
Maiores altas
Cogna (COGN3): alta de 45,37%
O recuo dos juros futuros em meio à proximidade do corte de juros beneficiou as ações da Cogna no mês de janeiro.
As perspectivas também são positivas para as ações, que foram a maior alta do Ibovespa em 2025.
No fim deste mês, o Itaú BBA elevou a recomendação para a Cogna de neutra para compra e aumentou preço-alvo de R$ 3,30 para R$ 6, sustentada por melhora no desempenho operacional, com perspectivas consistentemente fortes para 2026 em todos os segmentos, além de um FCFE yield (rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista) atrativo de 10% para 2026.
O Itaú BBA projeta receita líquida consolidada de R$ 7,866 bilhões em 2026, alta de 11% na comparação anual. O crescimento deve ser impulsionado pela força contínua do segmento presencial, pelo bom desempenho da KrotonMed, por tendências positivas de ACV (valor anual de contratos) na Vasta e por crescimento de dois dígitos na Saber, apoiado pela sazonalidade do PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático).
A rentabilidade da Kroton deve permanecer estável, já que menores despesas com provisão para devedores duvidosos (PDA) compensam a pressão sobre a margem bruta decorrente da adaptação às novas regras. A Vasta tende a se beneficiar de maior alavancagem operacional, enquanto as margens da Saber devem se comprimir em razão da concentração de compras de conteúdo.
O Goldman Sachs também reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 3,64 para R$ 5. O otimismo com a Cogna se apoia em três pilares: melhora de captação, disciplina comercial e avanço de geração de caixa.
Segundo o Goldman, a Kroton — braço de ensino superior da companhia — ajustou a estratégia de venda, priorizando turmas com maior valor de longo prazo (LTV) e triando alunos com análise de crédito mais rigorosa. O resultado tem sido melhor qualidade de carteiras, menor inadimplência e redução do capital de giro.
Em 12 meses, o fluxo de caixa livre subiu de R$ 726 milhões para R$ 1,05 bilhão, permitindo que a empresa reduzisse a alavancagem para 2,46 vez dívida líquida/EBITDA. Para 2026, o banco projeta FCFE de R$ 893 milhões, o que equivale a um “yield” de cerca de 9,5% ao preço atual de tela.
Na frente operacional, a expectativa é de captação de verão mais forte que a de 2025, tanto em cursos presenciais quanto semipresenciais. A unidade presencial deve crescer receita em 16% no ano, puxada por alta de 15% nas novas matrículas e tickets acompanhando a inflação — com destaque para o curso de enfermagem, beneficiado pelo novo marco regulatório que restringiu formatos 100% a distância.
No EAD, o foco está na migração do ensino totalmente online para o semipresencial, de maior valor agregado. O Goldman projeta aumento de 3,4% no ticket médio por efeito de “trade‑up”, ainda que parte desse avanço venha da reclassificação regulatória. Já em Medicina, o cenário é de competição mais acirrada, com crescimento mais modesto e leve queda nominal de preços em 2026 e 2027.
Raízen (RAIZ4): alta de 28,75%
Após uma forte queda de 62,5% em 2025, com desafios operacionais, pressão sobre margens, volatilidade nos preços do açúcar e do etanol e incertezas relacionadas à execução de projetos e ao nível de endividamento, o que manteve o papel sob forte pressão ao longo do ano, o começo de 2026 foi positivo para RAIZ4, que viu suas ações voltarem para a casa do R$ 1.
O movimento é beneficiado tanto pela queda dos juros futuros, tendo em vista o alto endividamento da companhia, quanto por notícias sobre a estruturação de um possível aumento de capital entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão.
Com um modelo intensivo em capital, a companhia ampliou o endividamento em meio à compressão das margens no setor de combustíveis, enquanto o ciclo de juros elevados encareceu ainda mais o crédito, levando a dívida líquida da Raízen era de R$ 53,437 bilhões, com alavancagem financeira medida por dívida líquida/ Ebitda de 5,1 vezes.
Na última semana, a companhia divulgado seus dados operacionais, com resultados sólidos na distribuição de combustíveis, compensados por tendências mais fracas em Açúcar & Etanol.
Segundo o banco, a companhia enfrentou um ambiente agrícola ligeiramente mais desafiador, com a moagem de cana-de-açúcar atingindo 70,3 milhões de toneladas, queda de 9% em relação às 77,5 milhões de toneladas do mesmo período do ano-safra anterior. Esse recuo foi atribuído à menor produtividade agrícola, a condições climáticas menos favoráveis, a um evento de geada no primeiro trimestre e à venda de cerca de 2 milhões de toneladas de cana como parte do processo de otimização de ativos, iniciativa vista de forma positiva.
O JPMorgan destaca que a distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina avançou em linha com o plano operacional, sustentada por um ambiente de negócios mais favorável, impulsionado pelo combate ao mercado ilegal e por ganhos de eficiência nas refinarias. O banco também enxerga aumento de tração nesse segmento, com investidores mais otimistas em relação às margens do setor.
Ainda assim, o JPMorgan afirma que mantém cautela em relação à Raízen, principalmente pela falta de visibilidade sobre outros catalisadores, como a venda de ativos em andamento na Argentina, tema tratado em relatório recente. Para o banco, embora a execução operacional na distribuição de combustíveis seja encorajadora, as incertezas em outras linhas de negócio justificam uma visão equilibrada para os próximos períodos. O JPMorgan reiterou recomendação neutra para as ações da Raízen.
Na avaliação do Bradesco BBI, a prévia operacional confirma um cenário agrícola ainda desafiador, com moagem e produtividade mais baixas continuando a pressionar os volumes, apesar de um ATR mais forte.
Petrobras (PETR3;PETR4): alta de 25,05% para PETR3 e de 22,96% para PETR4
As ações de petroleiras subiram forte no mês de janeiro, refletindo principalmente a escalada do petróleo, com o Brent avançando aproximadamente 14% no ano, a elevada exposição da estatal ao segmento exploração e produção e os fluxos de capital estrangeiro para o Brasil, que impulsionaram o MSCI Brazil (índice que mede o desempenho de ações de grandes e médias empresas brasileiras) a subir 20% no ano.
Em relatório recente, do ponto de vista de fundamentos, o Goldman Sachs estima que a Petrobras entregue dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) entre 9% e 10% em 2026 e 2027, considerando a curva futura do petróleo em torno de US$ 67 e US$ 65 por barril nesses anos.
O relatório destaca que, ao preço das ações em 31 de dezembro de 2025 e assumindo Brent médio de US$ 60 a US$ 61 por barril, o yield (rendimento) implícito para 2026 e 2027 já era de cerca de 9%, o que indica que a alta superior a 30% foi impulsionada sobretudo pelo petróleo mais caro, e não por uma reprecificação estrutural relevante.
Para o Goldman, uma avaliação em torno de 10% de dividend yield é razoável. Caso os preços do petróleo se mantenham nos níveis atuais, a ação pode oferecer esse retorno combinado com possíveis catalisadores, como as eleições nacionais de outubro e surpresas positivas na produção em 2026.
Na avaliação do Goldman Sachs, o principal risco para esse cenário seria uma queda do petróleo se os prêmios geopolíticos e a fraqueza do dólar diminuírem em um mercado global com excesso de oferta.
O Goldman, por outro lado, mantém preferência relativa por PRIO (PRIO3), devido ao crescimento forte da produção no curto prazo com o avanço do campo de Wahoo e maior visibilidade para dividendos.
Cyrela (CYRE3): avanço de 24,79%
Apesar de resultados operacionais do quarto trimestre de 2025 divulgados em meados de janeiro considerados fracos, as ações da Cyrela tiveram fortes ganhos no mês. A perspectiva de queda de juros em breve anima o setor de construção civil, com os papéis CYRE3 sendo um dos preferidos entre os investidores do segmento.
As ações da companhia seguem como uma das preferidas entre gestores, conforme destacou o Goldman Sachs após reunião com investidores em Londres e Paris.
Assim como em reuniões nos EUA em novembro, os analistas do Goldman observam um interesse crescente nas construtoras residenciais brasileiras (o subsegmento mais discutido) e no segmento de shoppings.
As ações de interesse incluíram principalmente Cyrela, Cury e Direcional, embora, marginalmente, Tenda e MRV tenham entrado em discussão entre as construtoras residenciais brasileiras.
“A Cyrela surgiu como um foco consensual, impulsionada por seu valuation e pela visão de que poderia se beneficiar do ciclo de afrouxamento das taxas de juros”, ressaltou.
Já em relatório recente, o Itaú BBA manteve exposição overweight (exposição acima da média do mercado) no Brasil em América Latina mesmo após a forte alta, mantendo a Cyrela na lista das dez ações preferidas.
Vamos (VAMO3): alta de 22,77%
A queda dos juros futuros também impactou positivamente as ações da Vamos. Em meados do mês, a companhia também divulgou seus dados operacionais do 4T25, considerados positivos para a companhia.
A Vamos teve receita líquida de R$1,48 bilhão no quarto trimestre de 2025, expansão de 24,3% em relação ao mesmo período de 2024. No segmento de locação, a receita somou R$ 1,07 bilhão, montante recorde e alta de 11,5%, enquanto em venda de ativos totalizou R$ 326,7 milhões, salto de 97,6%. A divisão indústria teve alta de 27,4% no faturamento, para R$85,6 milhões.
Confira as ações do Ibovespa que subiram em janeiro:
| Ticker | Preço (R$) | Variação no mês (%) |
| COGN3 | 4,55 | 45,37% |
| RAIZ4 | 1,03 | 28,75% |
| PETR3 | 40,39 | 25,05% |
| CYRE3 | 29,9 | 24,79% |
| PETR4 | 37,76 | 22,96% |
| VAMO3 | 3,99 | 22,77% |
| PRIO3 | 50,99 | 22,10% |
| MULT3 | 32,94 | 21,82% |
| NATU3 | 8,77 | 21,81% |
| UGPA3 | 25,38 | 21,03% |
| YDUQ3 | 14,67 | 20,34% |
| B3SA3 | 16,14 | 20,25% |
| ASAI3 | 8,57 | 19,03% |
| BRKM5 | 9,22 | 18,97% |
| BRAP4 | 23,81 | 18,58% |
| CSMG3 | 51,15 | 17,67% |
| ITSA4 | 13,66 | 17,45% |
| BBDC3 | 18,32 | 17,21% |
| BBDC4 | 21,31 | 17,09% |
| VALE3 | 84,32 | 16,50% |
| BBAS3 | 25,22 | 16,33% |
| ITUB4 | 45,5 | 16,22% |
| CYRE4 | 28,15 | 15,84% |
| CSNA3 | 10,07 | 15,75% |
| BEEF3 | 6,19 | 15,27% |
| RENT4 | 46,66 | 14,93% |
| BPAC11 | 59,95 | 14,87% |
| VIVT3 | 37,38 | 14,17% |
| BRAV3 | 18,89 | 13,38% |
| TIMS3 | 24,52 | 13,31% |
| RECV3 | 11,3 | 13,11% |
| CMIN3 | 5,89 | 12,62% |
| IGTI11 | 28,5 | 12,60% |
| CSAN3 | 5,9 | 12,38% |
| MOTV3 | 16,76 | 12,11% |
| FLRY3 | 16,62 | 12,07% |
| VBBR3 | 28,76 | 11,65% |
| LREN3 | 14,93 | 11,58% |
| RENT3 | 48,39 | 11,40% |
| MGLU3 | 9,78 | 10,87% |
| GOAU4 | 9,86 | 10,77% |
| IRBR3 | 57,85 | 10,49% |
| AXIA6 | 57,81 | 10,16% |
| POMO4 | 6,45 | 9,69% |
| CURY3 | 34,54 | 9,61% |
| SANB11 | 36,32 | 9,53% |
| EMBJ3 | 96,95 | 9,44% |
| ALOS3 | 30,9 | 9,34% |
| GGBR4 | 22,42 | 9,31% |
| ABEV3 | 14,85 | 8,79% |
| TOTS3 | 44,57 | 8,76% |
| AXIA3 | 54,37 | 8,74% |
| CPLE3 | 13,18 | 8,57% |
| SLCE3 | 16,05 | 8,52% |
| ENGI11 | 51,01 | 8,32% |
| HYPE3 | 25,21 | 8,06% |
| WEGE3 | 51,72 | 7,19% |
| CXSE3 | 17,3 | 6,92% |
| EQTL3 | 40,92 | 6,84% |
| SBSP3 | 141,22 | 6,12% |
| ENEV3 | 21,12 | 5,49% |
| USIM5 | 6,3 | 5,35% |
| AZZA3 | 26,74 | 5,32% |
| EGIE3 | 32,77 | 5,27% |
| RDOR3 | 42,39 | 4,74% |
| MRVE3 | 8,07 | 4,53% |
| BBSE3 | 37,31 | 4,39% |
| PSSA3 | 50,24 | 4,38% |
| ISAE4 | 27,86 | 3,57% |
| RADL3 | 24,5 | 3,42% |
| CMIG4 | 11,48 | 2,87% |
| DIRR3 | 13,95 | 2,35% |
| KLBN11 | 19,16 | 0,37% |
| RAIL3 | 14,76 | 0,07% |
Maiores baixas
Vivara (VIVA3): queda de 12,65%
A Vivara foi a maior queda de um mês de recordes do Ibovespa. O recuo, no entanto, pode ser boa notícia para investidores que pretendem aumentar a exposição aos papéis da joalheira. Analistas do Morgan Stanley, em relatório publicado em 23 de janeiro, afirmaram que a varejista de luxo apresentava ponto de entrada atrativo após queda de 19% no ano.
De acordo com os analistas, o papel negocia a 8,7 vezes o preço sobre lucro (P/L) para 2026.
O otimismo do banco estrangeiro é partilhado pelo Itaú BBA. A visão de analistas é que o cenário menos competitivo no segmento de joias é grande atrativo para o nome. Ainda assim, há preocupações com forte alta de preços de ouro e prata. Nesta sexta, no entanto, os metais recuaram em seu maior tombo em anos.
Hapvida (HAPV3): baixa de 10,71%
Os papéis da Hapvida (HAPV3) sofreram enquanto a companhia passa por alterações na administração. Em 13 de janeiro, a Hapvida confirmou que Alain Benvenuti, que havia renunciado ao cargo de COO há três semanas, assumirá a vice-presidência comercial da companhia.
A mudança ocorreu após a saída de Rafael Andrade da vice-presidência comercial em outubro, posição que vinha sendo ocupada por Jaqueline Sena, que seguirá como VP da área odontológica. A ação caiu mais de 8% em uma só sessão por causa disso.
MBRF (MBRF3): baixa de 4,94%
A MBRF (MBRF3) se apresenta na lista de quedas também, com recuo de 4,94%. Em análise sobre o que esperar do resultado da companhia, a XP estima que será entregue resultado sequencialmente mais fraco. A MBRF também teve desempenho fraco em dezembro, despencar com tarifas chinesas à carne brasileira.
Suzano (SUZB3): queda de 4,90%
A Suzano (SUBZ3) teve perda de 4,90%, em meio ao cenário de aversão a risco que não beneficia ações consideradas mais defensivas, enquanto o dólar caiu 4,39% ante o real. A baixa da divisa americana também não beneficia a ação da companhia, que é exportadora.
Além disso, segundo estimativa da XP, a valorização do real e sazonalidade mais fraca devem pressionar as empresas do setor. A expectativa para o quarto trimestre de 2025 é que sejam reportados menores volumes de celulose na comparação trimestral. Os analistas estimam a queda principalmente devido a várias paradas de manutenção no 4T25), com preços realizados mais altos em dólares e custos menores, levando a um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) reduzido no 4T25.
CPFL (CPFE3): baixa de 4,28%
A CPFL (CPFE3) figura entre as baixas do mês após rebaixamento do Morgan Stanley da recomendação de equal-weight (exposição igual a média do mercado, equivalente à neutro) para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda), citando uma relação risco-retorno pouco atrativa, catalisadores positivos limitados no curto prazo e dividendos menos atraentes.
Ainda assim, a ação da companhia elétrica acumula alta de cerca de 75% nos últimos 12 meses
Confira as ações do Ibovespa que caíram em janeiro:
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