Ouro e prata sofreram sua maior queda em anos, em uma reversão brusca de um rali explosivo que havia levado os preços a máximas históricas.
O ouro fechou queda de mais de 11%, na maior queda porcentual desde 2016. Já a prata derreteu 31% nesta sexta-feira, registrando a segunda pior queda diária da história, à medida que a onda de vendas se espalhava pelo mercado mais amplo de metais.
Os contratos futuros de prata para fevereiro, que fecharam na quinta-feira cotados a mais de US$ 114 a onça troy, encerraram o pregão de sexta-feira a US$ 78,29. A queda de US$ 35,747 por onça na sexta-feira representou um valor próximo ao da onça em junho.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em baixa de 11,38%, a US$ 4.745,10 por onça-troy. Já a prata para março recuou 31,37%, a US$ 78,53 por onça-troy. Ambos os metais tiveram baixa na semana de 4,71% e 22,5%, respectivamente. No mês, o ouro ganhou 9,30% e a prata 11,23%.
O metal precioso teve uma ascensão meteórica desde então, rompendo um recorde histórico de 45 anos em outubro e mais que dobrando de valor desde então. O volume de negociações disparou esta semana nos contratos futuros de prata, assim como nos de ouro, platina e paládio, batendo recordes com a entrada maciça de investidores de varejo, segundo a operadora de bolsas CME Group.
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Uma onda de demanda de investidores por metais preciosos no último ano derrubou recorde após recorde, surpreendeu operadores experientes e gerou uma volatilidade de preços excepcional. Esse movimento só se acelerou em janeiro, à medida que investidores correram para esses refúgios tradicionais em meio a preocupações com desvalorização cambial, independência do Federal Reserve, guerras comerciais e tensões geopolíticas.
Tanto o ouro quanto a prata ainda tiveram ganhos no mês, mas a liquidação desta sexta-feira é o maior choque para o rali desde uma queda semelhante em outubro. Ela foi desencadeada pela recuperação do dólar após uma reportagem afirmar que o governo Trump se preparava para indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve — algo agora confirmado. A alta do dólar abalou o apetite dos investidores que vinham comprando metais depois que o presidente sinalizou disposição de deixar a moeda enfraquecer.
O movimento do ouro “valida a história de cautela de ‘sobe rápido, cai rápido’”, disse Christopher Wong, estrategista do Oversea-Chinese Banking Corp. Embora as notícias sobre a indicação de Warsh tenham sido o gatilho, uma correção já estava atrasada, disse ele. “É como um daqueles pretextos que o mercado estava esperando para desfazer esses movimentos parabólicos.”
Os metais preciosos já estavam preparados para movimentos extremos, à medida que a disparada de preços e a volatilidade pressionavam os modelos de risco e os balanços dos operadores. Uma onda recorde de compras de opções de compra — contratos que dão ao detentor o direito de comprar a um preço predeterminado — também vinha “reforçando mecanicamente o momentum de alta dos preços”, afirmou o Goldman Sachs Group Inc. em relatório, já que os vendedores dessas opções protegiam sua exposição à alta comprando mais.
A queda do ouro pode ter sido acelerada por um chamado “gamma squeeze”. É quando dealers que estão vendidos em opções precisam comprar mais contratos futuros — ou ações, no caso dos ETFs de ouro — à medida que os preços sobem acima de níveis onde há grandes posições em opções, e vender quando os preços recuam abaixo desses patamares, para manter seus portfólios balanceados. No ETF SPDR Gold Shares, havia grandes posições vencendo nesta sexta-feira nos níveis de US$ 465 e US$ 455, enquanto na Comex posições relevantes de opções de março e abril estavam em US$ 5.300, US$ 5.200 e US$ 5.100.
O tombo dos metais também derrubou ações de grandes mineradoras, incluindo as principais produtoras de ouro Newmont Corp., Barrick Mining Corp. e Agnico Eagle Mines Ltd., cujos papéis caíram mais de 8% nas negociações em Nova York.
Mesmo após a correção, o ouro ainda sobe cerca de 18% em janeiro, aproximando-se de seu maior ganho mensal desde 1980. O salto da prata tem sido impressionante, com o metal branco acumulando alta de mais de 40% no ano.
A magnitude da correção “sugere que os participantes do mercado estavam simplesmente esperando uma oportunidade para realizar lucros após a rápida alta dos preços”, escreveram analistas do Commerzbank AG em nota nesta sexta-feira. Ainda assim, embora rumores sobre a nomeação de Warsh possam ter desencadeado a queda, há grande probabilidade de que o Fed “ceda à pressão ao menos em parte e corte juros mais do que o mercado atualmente precifica”, disse o Commerzbank.
Com ouro e prata já tendo disparado tanto neste ano, alguns indicadores técnicos deram sinais de alerta. Um deles é o índice de força relativa (RSI), que nas últimas semanas indicava que ambos os metais poderiam estar sobrecomprados e prontos para uma correção. O RSI do ouro recentemente atingiu 90, o maior nível em décadas para o metal precioso.
“A volatilidade está extremamente alta e os níveis de resistência psicológica de US$ 5.000 e US$ 100, respectivamente, foram rompidos diversas vezes nesta sexta-feira”, afirmou Dominik Sperzel, head de trading da Heraeus Precious Metals. “Precisamos nos preparar para que a montanha-russa continue.”
Investidores chineses lideraram o movimento de alta, comprando com tanta intensidade que levaram a Bolsa de Futuros de Xangai a anunciar às pressas medidas para esfriar a disparada nos mercados de metais preciosos e industriais.
O que dizem os estrategistas da Bloomberg:
“A razão prata/ouro subiu quase tanto quanto no fim da década de 1970, e os movimentos dramáticos de hoje mostram que isso pode ter marcado um ponto de rejeição. Ouro e prata isoladamente, porém, até agora não chegaram a igualar os ralis de 1979. Se a prata em relação ao ouro marca o fim de um rali histórico em metais preciosos, ainda é cedo para dizer. Mas o preço agora está assumindo o papel de principal força motriz, e os fundamentos vão ficar em segundo plano por enquanto.”
— Simon White, estrategista macro. Para a análise completa, clique aqui.
O presidente Donald Trump disse que pretende indicar Warsh para ser o próximo presidente do Fed em uma publicação nesta sexta-feira. O ex-diretor do banco central tem uma reputação de longa data como “hawk” da inflação, mas se alinhou ao presidente nos últimos meses ao defender publicamente juros mais baixos. Trump afirmou que anunciaria seu indicado na manhã de sexta-feira, no horário dos EUA.
Enquanto isso, o risco de uma nova paralisação do governo dos EUA foi evitado depois que Trump e democratas no Senado chegaram a um acordo preliminar. A Casa Branca continua negociando com os democratas a adoção de novos limites às operações de imigração que têm provocado indignação nacional.
(com Bloomberg)
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