Dados de produção acendem alerta para volumes de cerveja da Ambev, dizem analistas

Ambev, dona da cerveja Corona,

O IBGE divulgou, junto com a produção industrial, os dados de novembro para a produção de bebidas alcoólicas no Brasil. A produção de cerveja recuou 7% na comparação anual, desempenho significativamente pior do que o registrado em outubro, apesar de uma base de comparação mais favorável, já que novembro de 2024 havia recuado 6%.

Na métrica dos últimos doze meses (LTM), a produção total apresentou retração de 4,6% na comparação anual, pouco acima da queda de 4,5% registrada em outubro. O Morgan Stanley projeta mais um trimestre desafiador para o mercado de cerveja no Brasil.

Embora o desempenho do quarto trimestre de 2025 na comparação anual aparente melhora até o momento, com recuo de 4,2%, frente à queda de 11% no terceiro trimestre, o banco destaca que a produção de cerveja segue bastante fraca em termos absolutos. Do ponto de vista do consumo, o Morgan Stanley ressalta que as condições climáticas permaneceram relativamente desfavoráveis no Brasil em outubro e novembro, com o índice de temperatura do banco indicando queda de 3% na comparação anual.

No caso da Ambev (ABEV3), embora o Morgan Stanley espere uma melhora no desempenho anual dos volumes no quarto trimestre em relação à retração de 8% registrada no terceiro trimestre, uma contração de volumes em um dígito médio (MSD) ainda deve tornar o trimestre desafiador, especialmente diante da pressão esperada de custos, com alta estimada de cerca de 12% no custo dos produtos vendidos (COGS) na comparação anual.

O Bradesco BBI, por sua vez, avalia que o ambiente de consumo mais fraco no Brasil não apenas limita o poder de repasse de preços da Ambev daqui para frente, como também coincide com uma aceleração das pressões de custos.

Com base no guidance da companhia, o custo caixa dos produtos vendidos por hectolitro (COGS/hl) na divisão de cerveja no Brasil deve crescer ao menos 11% na comparação anual no 4T25.

O BBI reitera visão cautelosa sobre a ação, que negocia a um múltiplo de 14,3 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L), um prêmio de 16% em relação às cervejarias globais. Com isso, manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 13.

Já a XP Investimentos prevê uma contração de mercado de 5,0% na base anual para o fechamento de 2025, implicando uma redução no consumo per capita¹ para 5,6 litros/cabeça.

A XP afirma que seu modelo de regressão aponta um risco relevante de queda de 3,5% em relação aos volumes atualmente projetados para a unidade de negócios de cerveja no Brasil da Ambev (ABEV3), o que implicaria uma retração de 4,3% na comparação anual. No entanto, a casa ressalta que, como vem destacando em relatórios recentes, a correlação entre os dados da produção industrial e os volumes da Ambev tem se tornado mais difícil, em função da estratégia mais volátil de volumes adotada pelo Grupo Petrópolis (GP).

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