Aventura militar custa dinheiro, dizem economistas preocupados com déficit dos EUA

Com os Estados Unidos afogados em uma dívida de US$ 38 trilhões, o presidente Trump decidiu que agora é hora de a Casa Branca também “administrar” outro país. Embora os EUA não assumam os custos necessários para manter a economia da Venezuela funcionando, a ação tomada no fim de semana sem dúvida virá acompanhada de contas.

Isso, diz o banco UBS, será uma preocupação central para os investidores ao avaliar o prêmio de risco da dívida norte-americana rumo a 2026. A trajetória fiscal dos Estados Unidos — principalmente sua carga de endividamento — tem sido uma crescente preocupação para nomes como Jamie Dimon, do JPMorgan, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, além de inúmeros economistas e analistas de Wall Street.

Essas preocupações ficam ainda mais agudas diante das recentes mudanças nas políticas tarifárias de Trump, algumas das quais ele adiou recentemente.

Diante do aumento das despesas, a Casa Branca também está reduzindo sua receita. Na semana passada, determinou-se o adiamento do aumento de tarifas sobre móveis estofados, armários de cozinha e bancadas, previsto para este mês de janeiro. A medida foi empurrada para daqui a um ano.

Um aparente recuo nas tarifas — uma política incomum, mas significativa para ajudar a reorganizar as contas dos EUA — provavelmente fará investidores questionarem quão confiável será essa fonte de receita. De fato, dinheiro será ainda mais necessário no início de uma nova turbulência geopolítica.

No UBS, o economista-chefe Paul Donovan destacou que o adiamento de novas tarifas ocorre justamente enquanto o mais recente ponto de atrito político — o custo de vida — continua preocupando o eleitorado.

Em um áudio enviado a clientes, ele acrescentou: “Reduzir tarifas é um estímulo fiscal; adiar tarifas é um aperto fiscal adiado nos Estados Unidos, o que tem algumas implicações marginais de crescimento. Também é importante pelas implicações no tamanho do déficit fiscal norte-americano.”

Déficit fiscal é a diferença entre o gasto do governo e sua receita. Segundo o Bipartisan Policy Centre, em novembro, o déficit acumulado do governo no ano fiscal de 2026 já estava em US$ 439 bilhões (o ano termina no último dia de setembro). Qualquer déficit incorrido ano a ano é somado à dívida nacional, que atualmente passa de US$ 38,5 trilhões.

“Isso também pode ser uma consideração decorrente da recente ação dos EUA na Venezuela”, disse Donovan.

“Embora não esteja claro o que significa dizer que os EUA vão ‘administrar a Venezuela’, aventuras militares custam dinheiro. Esse talvez seja o resultado mais significativo das atividades do fim de semana: guerreiros de redes sociais podem se empolgar com outras ameaças geopolíticas, mas é provável que elas recebam bem menos atenção nos mercados financeiros.”

Até onde isso vai?

Ainda é cedo, mas o quanto custará a intervenção do presidente Trump na Venezuela depende da magnitude e da duração da ação.

A conta pode ficar em bilhões “suportáveis”, disse à Fortune o professor Kent Smetters, de Wharton, caso as tropas americanas permaneçam fora do país e um novo presidente aceitável tanto para a Casa Branca quanto para o público venezuelano assuma o poder.

O presidente Trump evitou responder perguntas sobre uma eleição na Venezuela durante uma conversa com a imprensa a bordo do Air Force One na noite passada, insistindo que os EUA vão “administrar” o país, mas ressaltando que “não vamos investir nada” — isso ficará a cargo das empresas de petróleo.

Isso pode representar um ganho líquido para os EUA ao longo do tempo, acrescentou o professor da Universidade da Pensilvânia, já que a nação pode ganhar acesso a um novo produtor de petróleo pesado.

“No entanto, se a intervenção na Venezuela se tornar um novo Iraque, então os custos podem chegar a centenas de bilhões de dólares ou até mais na próxima década. Então, acho que o maior risco é como isso será conduzido daqui para frente”, disse o professor Smetters.

Se surgir um conflito, “o custo pode ser alto”. Da mesma forma, se os EUA forem obrigados a demonstrar força, isso pode elevar o preço da ação para “dezenas de bilhões de dólares nos próximos anos”, acrescentou.

A situação fiscal dos EUA já seria uma grande preocupação mesmo sem intervenção militar, segundo Desmond Lachman, pesquisador sênior do American Enterprise Institute — mas certamente isso não ajuda.

Lachman destacou que as maiores ameaças atuais à dívida nacional dos EUA continuam sendo a legalidade do regime tarifário (e, portanto, sua valiosa receita) e a promessa do presidente Trump de abrir mão dessa receita em vez de usá-la para reduzir a dívida, como havia sido dito anteriormente.

“O que me preocupa na Venezuela é que isso só confirma que os Estados Unidos não são um parceiro muito confiável”, disse Lachman à Fortune.

“O ponto maior é que a Venezuela e até comentários sobre a Groenlândia, isso tudo vai apenas aumentar a incerteza geopolítica. E também vai levantar questionamentos, certamente na cabeça dos bancos centrais: você realmente quer ter seu dinheiro em uma situação em os Estados Unidos podem congelar se simplesmente decidirem que não gostam de você?”

“Meu problema é que o déficit orçamentário já é muito ruim, e a Venezuela certamente não vai melhorar isso; pelo contrário, a Venezuela piora, então acho que temos realmente um grande problema orçamentário.”

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