Agente do ICE mata mulher em Minneapolis e escala crise política em cidade dos EUA

Um agente do ICE (Immigration and Customs Enforcement) matou uma mulher durante uma abordagem em Minneapolis, causando revolta pela presença dos agentes na cidade e aumentando a divisão política em torno da repressão migratória do governo Trump.

O tiroteio aconteceu na quarta-feira, durante uma operação que, segundo autoridades federais, era focada dentro de um esforço maior de controle migratório. A mulher, descrita como branca e de meia-idade, estava sentada no carro bloqueando uma rua residencial por causa da presença dos agentes, disse o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara. Não havia indicação de que ela fosse alvo da polícia, afirmou.

“Em qualquer órgão sério de segurança pública do país, diriam que é muito preocupante quando alguém atira contra o carro de uma pessoa desarmada”, disse O’Hara, mas ressaltou que não conhece todos os detalhes do caso e que, em algumas situações, a ação pode ser justificada.

Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, afirmou que o agente agiu em legítima defesa. Os agentes federais começaram a chegar na região de Minneapolis–St. Paul no começo de dezembro, dentro do que o ICE chamou de “Operação Metro Surge”. O governo Trump disse que a ação vai envolver até 2 mil agentes e já resultou em pelo menos mil prisões.

Um vídeo postado no X mostra um Honda Pilot bloqueando parte da rua enquanto dois agentes se aproximam. Quando um tenta abrir a porta, o carro recua um pouco. Um terceiro agente aparece na frente do veículo e atira no motorista quando o carro começa a virar e avançar. O carro segue em movimento por um instante antes de bater.

O presidente Donald Trump chamou o vídeo de “horrível de assistir”. Mas, em uma postagem nas redes sociais, também acusou a mulher de resistir e disse que ela “atropelou violentamente o agente do ICE, que parece ter atirado nela em legítima defesa.”

Ele repetiu o que disse a porta-voz McLaughlin, que classificou o caso como um ato de terrorismo doméstico. “Um agente do ICE, temendo pela própria vida, pela vida dos colegas e pela segurança do público, disparou em defesa própria”, disse McLaughlin.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, rejeitou a versão de legítima defesa do governo e chamou a narrativa de “mentira”.

“Isso não é verdade, não tem fundamento”, afirmou.

Ele pediu que os agentes do ICE “saíssem da cidade” enquanto uma multidão se reunia no local do tiroteio, que gerou uma grande polêmica.

“A presença dos agentes federais de imigração está causando caos na nossa cidade”, disse Frey. “Estamos exigindo que o ICE deixe a cidade imediatamente. Estamos do lado das nossas comunidades de imigrantes e refugiados.”

A identidade da mulher ainda não foi divulgada.

O bairro onde aconteceu o tiroteio fica a cerca de 5 km do centro de Minneapolis e tem uma mistura de prédios e casas antigas, muitas com cerca de 100 anos. É uma área racialmente diversa, a cerca de 1,6 km do local onde George Floyd foi morto pela polícia em 2020, episódio que ajudou a impulsionar o movimento Black Lives Matter.

A senadora Amy Klobuchar, democrata de Minnesota, criticou o governo Trump por “mandar agentes federais para as ruas contra a vontade das autoridades locais” e pediu uma investigação.

“Estou preocupada que as declarações do Departamento de Segurança Interna não batem com os vídeos e relatos locais”, disse ela. “Nossa fiscalização migratória deveria focar em prender criminosos violentos para proteger a população, mas essas ações do ICE estão fazendo o contrário e deixando nosso estado menos seguro.”

O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma enquanto as autoridades estaduais apuram o caso.

“Vamos divulgar informações assim que tivermos mais detalhes”, disse.

A operação de fiscalização migratória em Minneapolis acontece junto com uma investigação sobre fraudes nos setores de assistência social e creches do estado, incluindo casos da pandemia. Dezenas de pessoas foram acusadas ou condenadas, muitas delas de origem somali, segundo o New York Times.

Autoridades federais dizem que essa investigação é uma das razões para a operação. Minnesota tem uma grande população somali, a maioria com residência permanente ou cidadania.

Walz, que é democrata, anunciou que não vai tentar um terceiro mandato, após críticas de republicanos e do governo Trump sobre como ele lidou com as investigações de fraude.

© 2026 Bloomberg L.P.

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