Se os investidores já monitoravam com atenção os eventos de fim de ano para a Petrobras (PETR3;PETR4), principalmente eleições presidenciais, o começo de 2026 já se mostrou agitado, com a deposição de Nicolás Maduro na Venezuela trazendo novas perspectivas para o mercado de petróleo.
A visão principal do mercado é de que, ainda que a produção de petróleo da Venezuela seja pressionada num curto espaço de tempo, o cenário de mais longo prazo é de maior produção no país (que possui a maior reserva do mundo), o que deve pressionar os preços da commodity.
O preço do petróleo mais baixo penalizará todas as petrolíferas, inclusive a Petrobras, destaca Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital. “A Petrobras é uma empresa exportadora e segue a paridade de preços internacionais, uma queda sustentada no petróleo reduz a sua margem de lucro e o faturamento das exportações”, avalia o analista.
“Apesar de um cenário mais desafiador a frente, a Petrobras possui um grande diferencial, que é o mais baixo custo de extração de petróleo toda a indústria brasileira. Diante disso, acredito que o cenário será mais desafiador pela expectativa de preços mais baixos, mas o impacto deverá ser limitado já que ela possui esse diferencial”, aponta.
Assim, 2026 já começa com desafios para a estatal após um 2025 negativo para a companhia, em que os papéis PETR3 fecharam em queda de 11,85% e PETR4 teve desvalorização 7,53%.
“Petrobras estava na sua máxima história no começo de 2025. Bons fundamentos, o petróleo em alta, mas desde o dia que o Donald Trump colocou as tarifas [em abril do ano passado] a gente viu a Petrobras em um patamar muito baixo porque o Brent veio para baixo. Quando a gente tem uma empresa de commodities e essa commodity não tem boa performance, está pressionando o preço, a gente vai ver essa empresa sofrer”, aponta Gabriel Mota de Souza, sócio da Manchester Investimentos.
Outros catalisadores da empresa podem ajudar, como é o caso da produção na Margem Equatorial, mas Mota avalia que não é algo que fará muito preço de forma imediata e que se sobreponha ao Brent mais barato.
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“Pelos fundamentos, é uma empresa que a gente ainda vê descontada. Ainda tem espaço para andar, mas essa questão do Brent deve deixar o ativo num cenário mais baixo durante um tempo, até mesmo andando de lado num primeiro momento”, avalia o analista.
O BB Investimentos lembra ainda o plano de negócios divulgado em novembro pela companhia para os anos 2026-2030. A visão é de que a empresa manteve foco em ativos de alta produtividade e, nesse sentido, divulgou um novo plano com pequena redução no capex sugerindo que, se confirmado o cenário de baixa no petróleo, a companhia deverá ter que escolher entre manter esse patamar de investimentos, elevar dívida ou reduzir dividendos.
Goldman Sachs tem recomendação de compra para as ações da Petrobras, com base no que considera um retorno atrativo (yield de dividendos de aproximadamente 9% em 2026, apenas considerando a política de remuneração aos acionistas da estatal, que permanece inalterada), aliado à opcionalidade trazida pela eleição do próximo ano, que pode ser um catalisador para a ação.
“Também destacamos que o efeito da queda nos preços do petróleo é parcialmente compensado por maiores margens de refino no negócio downstream e por riscos positivos potenciais na produção nos próximos anos”, apontam os analistas. Dito isso, avalia, pode haver pressão de curto prazo sobre os preços das ações caso se concretize a projeção da equipe global de commodities de US$ 56/barril em 2026.
Para o BTG Pactual, a estatal permanece altamente exposta aos preços do petróleo, mas mantém a visão de que seus custos competitivos de extração (US$ 9/bbl) e a alavancagem de suas operações integradas colocam a companhia em posição superior em relação aos pares. Além disso, o crescimento de produção em Búzios pode impulsionar a geração de fluxo de caixa e promover uma reavaliação da ação. Embora a administração venha demonstrando disciplina em capex/opex, despesas elevadas de leasing e um ciclo pesado de capex tornam a Petrobras mais alavancada aos preços do petróleo no curto prazo, em nossa visão. O caminho para desalavancagem e retornos sustentados aos acionistas depende, em última instância, de forte desempenho operacional — e acredita que a Petrobras é capaz de entregar crescimento robusto de produção adiante.
O crescimento de produção de Búzios 6–8 e Mero 4 oferece potencial de alta visível que pode compensar parcialmente preços de petróleo mais fracos. Ainda assim, a equação financeira permanece sensível ao macro: com capex elevado, pagamentos de leasing em torno de US$ 9–10 bi/ano e dividendos estruturalmente atrelados ao fluxo de caixa, a Petrobras precisa de pelo menos de um brent entre US$ 60 e 65/bbl de Brent para manter neutralidade de dívida. Nesse contexto, cada variação de US$ 10/bbl no preço realizado do petróleo é estimada em impactar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em cerca de US$ 6,6 bilhões, o fluxo de caixa em US$ 3,8 bilhões e os dividendos em cerca de US$ 1,7 bilhão.
Para 2026, o Itaú BBA acredita que a Petrobras continuará focando na aceleração de projetos de E&P (exploração e produção), o que provavelmente implicará em maiores investimentos em 2026, com retornos significativos em produção a partir de 2027. O cenário também pode ser fortemente influenciado pela dinâmica eleitoral e pelas consequentes mudanças potenciais na estratégia de alocação de capital.
A recomendação é de compra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de R$ 43 para PETR4 no final de 2026.
Para os analistas, a estratégia da Petrobras de acelerar os investimentos em E&P tem uma perspectiva dupla: embora limite a flexibilidade da empresa para reduzir investimentos no curto prazo, também oferece uma importante proteção operacional e reforça o potencial de crescimento operacional.
“Esperamos geração de fluxo de caixa livre de um dígito no curto prazo, que poderá ser ainda mais pressionada pela aceleração de novos projetos”, avalia a equipe de análise. Isso provavelmente levará a investimentos acima da projeção em 2026, com os benefícios de produção associados se tornando mais significativos a partir de 2027.
A tese de investimento também pode ser significativamente influenciada pela dinâmica eleitoral ao longo de 2026, com debates centrados em potenciais mudanças nas estratégias de alocação de capital em diferentes cenários e possíveis alterações na percepção de risco em torno da tese.
De 10 casas que acompanham o papel PETR4, de acordo com compilação da LSEG, 7 possuem recomendação de compra e 3 possuem recomendação de manutenção, com preço-alvo médio de R$ 38,70 (ou potencial de alta de 30,6% em relação ao fechamento de terça-feira, 6).
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