A súbita onda de interesse em investir na Venezuela após a possível saída de Nicolás Maduro é “loucura” e nenhuma oportunidade relevante vai aparecer enquanto não houver a restauração da democracia e do Estado de direito, afirma o CEO da CV Advisors.
“Todo mundo está ligando para seus consultores financeiros, para seus family offices, perguntando ‘onde a gente investe? Como aproveitar essa chance? Você é da Venezuela, pode buscar ativos lá?’”, contou Elliot Dornbusch em entrevista. “Eu fico pensando, vocês estão malucos?”
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A decisão do governo dos EUA de tentar tirar Maduro do poder e a promessa de trabalhar com os remanescentes do regime venezuelano, enquanto incentivam investimentos na indústria do petróleo, não vai funcionar nem ajudar a trazer prosperidade para o país, escreveu Dornbusch em uma carta aos seus investidores, que a Bloomberg teve acesso nesta terça-feira. “A transição política precisa acontecer primeiro”, destacou.
Dornbusch nasceu na Venezuela e estudou economia, incluindo o setor petrolífero, antes de abrir uma empresa de construção. Ele saiu do país em 2003, durante o governo de Hugo Chávez, após a reforma da estatal Petroleos de Venezuela SA, e vive nos EUA desde então, onde fundou a CV Advisors em 2009. A empresa, com sede em Aventura, Flórida, atende 135 famílias e instituições e administra US$ 15 bilhões em ativos.
“A crise no coração da Venezuela é profunda e sistêmica. Não vai se resolver só tirando um líder ou derrubando uma figura do regime”, escreveu. “Esperar uma mudança radical enquanto milhares que permitiram, se beneficiaram e sustentaram essa corrupção continuam no poder é irreal.”
Desde a surpreendente captura de Maduro e sua esposa em Caracas no último sábado (3), o governo Trump prometeu trabalhar com a presidente interina Delcy Rodríguez — que foi vice-presidente de Maduro — para reativar a indústria petrolífera do país e explorar as maiores reservas do mundo. Isso gerou dúvidas sobre como investir nessa mudança geopolítica, seja em títulos inadimplentes, private equity, ETFs ou imóveis.
“Não dá para aproveitar essa situação. Você não pode investir na Venezuela porque não há liberdade, democracia e Estado de direito a longo prazo”, afirmou.
© 2026 Bloomberg L.P.
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