Após a operação dos EUA na Venezuela, que culminou na captura de Nicolás Maduro, líder do país, no sábado (3), muitos holofotes se voltaram para a vizinha Colômbia. Juntamente com Maduro, o presidente colombiano Gustavo Petro se apresenta como um antagonista de Donald Trump, presidente dos EUA, e tem sido alvo de ameaças do norte-americano nos últimos dias.
Em análise publicada nesta segunda-feira (5), a XP considera que o episódio remodela o ambiente em que serão realizadas as campanhas legislativa, marcadas para 8 de março, e presidencial, em 31 de maio, na Colômbia, embora o impacto político de longo prazo ainda seja incerto.
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Opinião pública
Andrés Pardo, estrategista-chefe para a América Latina da XP, e Sol Azcune, analista política da XP, destacam que há maior possibilidade de endurecimento de posições já existentes do que de realocação de votos. Ainda assim, a possibilidade de uma intervenção direta dos EUA no país é vista como improvável.
“O papel do presidente Trump está longe de ser percebido de forma uniforme na Colômbia. Embora ainda não haja pesquisas após o ataque dos EUA, uma sondagem da Invamer de novembro de 2025 mostra que a imagem do presidente norte-americano permanece mais negativa do que positiva entre o eleitorado, refletindo um ceticismo persistente em relação ao unilateralismo dos EUA”, afirma o relatório.
Essa notícia é especialmente boa para Petro, segundo a análise, porque a dinâmica tem sido citada como um dos fatores que mais sustentaram a recuperação da aprovação do presidente no fim de 2025. O acompanhamento da opinião pública se tornou mais complicado, como explicam os analistas, após mudança na regulamentação que proíbe a divulgação de pesquisas até o fim de outubro de 2026.
O presidente atual não estará na cédula, mas deve ser um dos principais nomes da esquerda no pleito, dizem os analistas, e seu candidato, Iván Cepeda, segue como favorito nas eleições.
“À direita, as reações têm sido mais sutis do que sugerem as manchetes iniciais. A remoção de Maduro — dada sua percepção amplamente autoritária — gerou uma resposta emocional de curto prazo que parece favorecer uma retórica focada em segurança”, diz o relatório.
Tema definidor
Os analistas reforçam que o efeito para a Colômbia ultrapassa a influência política ou mudança de opinião pública. Por ser vizinha da Venezuela, a Colômbia enfrenta pressões migratórias na fronteira, que se somam à presença de grupos armados e redes ilegais ao longo do limite territorial. Isso faz com que a crise se torne um tema definidor para as eleições no país.
“Os acontecimentos ao longo da fronteira Colômbia–Venezuela servirão como um teste inicial para avaliar se choques externos se traduzem em pressões concretas sobre a segurança interna”, afirmam os analistas da XP.
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