Em 2026, o cenário macroeconômico deve mudar pouco para a América Latina, especialmente para o Brasil.
Analistas do banco Goldman Sachs esperam que este ano seja uma repetição de 2025 em muitos aspectos lá fora, com destaques para o dólar enfraquecido, preço baixo das commodities e cortes de juros. As certezas diminuem ao falar sobre as eleições no final do ano, que podem trazer reviravoltas para o cenário macro no Brasil.
De maneira geral, apesar de diversos choques externos, analistas notaram que a América Latina conseguiu se beneficiar de um ambiente favorável no último ano. Mesmo com o desafio de lidar com as tarifas impostas pelos EUA sobre a importação, a região aproveitou do ambiente do dólar mais fraco, o alívio na taxa de juros básicos e as commodities com preços mais baixos para crescer de maneira moderada.
Para este ano, o banco espera que o cenário permaneça assim, com o dólar ainda levemente enfraquecido, mais cortes nas taxas básicas de juros e petróleo com preço baixo, além do alívio em algumas das tarifas dos EUA.
Com base nesse cenário, a previsão é que o Brasil tenha mais espaço para cortes de juros, com possível queda para 12,5%, queda de 2,5 pontos em relação ao atual patamar de 15% da Selic, ainda que dependa de algumas condições.
Juros no Brasil
De acordo com o banco, o país — ao lado da Colômbia, entre os países da América Latina — tem uma política monetária muito restritiva, o que dificulta o afrouxamento pelo Banco Central, mas o aperto monetário pode impulsionar essa mudança.
Para a equipe econômica do banco, a dimensão real dos cortes de juros em 2026 na América Latina vai depender do progresso no processo de desinflação, da evolução do balanço geral de riscos e das condições monetárias e financeiras globais. No Brasil, todas essas condições ainda se somam aos impactos não totalmente calculados das eleições gerais.
Os analistas afirmam que a postura fiscal pró-cíclica, especialmente em um ano eleitoral como o atual, tem tornado a perspectiva para o ano no país menos clara. “No Brasil, a dinâmica fiscal continua sendo o fundamento macroeconômico mais fraco da economia e se deteriorou visivelmente nos últimos três anos”, comenta o banco.
De acordo com a avaliação, a postura agressiva de aumento de impostos e gastos tomada pelo governo, levou ao superaquecimento da economia e à desancoragem das expectativas com a inflação. Em resposta, o Banco Central interrompeu o afrouxamento monetário, iniciando um ciclo de alta de juros que seguiu até o primeiro semestre de 2025.
Inflação e crescimento do PIB
O Goldman Sachs espera que a inflação brasileira permaneça acima de 4% em 2026, com as expectativas de inflação de curto e médio prazo desancoradas. Fatores como o elevado nível de utilização dos recursos produtivos e a normalização dos preços dos alimentos e políticas fiscais pouco favoráveis também seguram a previsão em alta.
Os juros altos também devem impactar o crescimento real do PIB. Os analistas acreditam que o país deve desacelerar entre 2025 e 2026, saindo dos 2,3% do ano anterior para 1,8%, no atual.
Os altos níveis de endividamento das famílias e o baixo grau de ociosidade econômica, com a diminuição do desemprego, deve segurar esse crescimento.
Algumas medidas do governo são esperadas para conter esse entrave, como as transferências fiscais para famílias de baixa renda (que consomem mais) e o novo programa de crédito consignado, o Crédito do Trabalhador. O aumento da faixa de isenção do imposto de renda da pessoa física, também deve beneficiar a classe média e dar um fôlego para a arrecadação.
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