Danças de Maduro irritaram Trump e aceleraram invasão dos EUA, diz NYT

As semanas que antecederam a captura de Nicolás Maduro por forças americanas foram marcadas por um comportamento que, segundo fontes ouvidas pelo The New York Times, teve efeito contrário ao pretendido pelo então líder venezuelano.

Aparições públicas com dança, música e declarações em tom de deboche foram interpretadas pela equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma tentativa deliberada de testar os limites de Washington, e acabaram funcionando como gatilho político para a operação.

Segundo o jornal, aliados de Trump passaram a enxergar os gestos de Maduro como uma provocação calculada. A avaliação interna foi a de que o venezuelano acreditava estar diante de um blefe da Casa Branca e tentava desmoralizar a ameaça americana, apostando que não haveria uma ação concreta. A leitura, no entanto, produziu o efeito oposto.

Nos últimos meses antes da ofensiva, Maduro intensificou sua presença na televisão estatal venezuelana em eventos oficiais marcados por performances musicais. Em 31 de dezembro, durante uma cerimônia pública, ele dançou ao som de música eletrônica que repetia frases de seus próprios discursos, como “paz sim” e “não à guerra”, em inglês. No palco, ironizou o episódio ao afirmar que a canção deveria figurar na “lista da Billboard”.

Em outro evento, no dia 10 de dezembro, Maduro cantou e dançou “Don’t Worry, Be Happy”, sucesso de Bobby McFerrin, dedicando a apresentação aos norte-americanos “contra a guerra”. Em novembro, também havia entoado “Imagine”, de John Lennon, ao defender uma mensagem de paz em meio à escalada de tensão com os EUA.

Um dos episódios que mais chamou atenção, segundo fontes do New York Times, ocorreu durante a inauguração de uma escola de liderança feminina, quando Maduro dançou ao lado da esposa, Cilia Flores, ao som de uma versão eletrônica remixada de seu próprio discurso, com slogans como “não à guerra, sim à paz”.

Os movimentos, que lembrariam até gestos associados a Trump em comícios, foram vistos por assessores do presidente americano como uma afronta direta.

Na avaliação de integrantes do governo dos EUA ouvidos pelo jornal, as cenas transmitidas pela televisão estatal reforçaram a percepção de que Maduro estava deliberadamente ignorando alertas diplomáticos e testando a disposição de Washington para agir.

Segundo o New York Times, a decisão final sobre a operação foi tomada enquanto essas imagens ainda circulavam.

O jornal relata ainda que Maduro teria rejeitado, no fim de dezembro, um ultimato apresentado por Trump, que previa sua renúncia e a aceitação de um exílio na Turquia, descrito como “luxuoso”. A recusa teria selado a avaliação de que não haveria saída negociada.

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