Mesmo em uma sessão de leve alta para o petróleo com a destituição de Nicolás Maduro da presidência da Venezuela, as ações das petroleiras brasileiras têm um pregão majoritariamente de baixa na B3 nesta segunda-feira (5).
Às 10h50 (horário de Brasília), os papéis da Brava (BRAV3) registravam as maiores perdas, de 4,44% (R$ 15,93), enquanto PRIO (PRIO3) tinha desvalorização de 2,06%, a R$ 40,90. Com baixas inferiores a 1%, estavam Petrobras (PETR3; PETR4) – com ON em baixa de 0,68% (R$ 32,08) e PN em queda de 0,81% (R$ 30,46) – e PetroRecôncavo (RECV3), com desvalorização de 0,36%, a R$ 10,97.
Já no mercado de petróleo, o WTI subia 0,8%, para US$ 57,78 por barril, enquanto o brent, referência global, avançava 0,67%, para US$ 60,16 por barril, à medida que a deposição do presidente Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump lançou uma profunda incerteza sobre a Venezuela, rica em petróleo.
O presidente Donald Trump deixou claro no sábado que o investimento dos EUA no setor petrolífero da Venezuela é um objetivo fundamental da operação de mudança de regime que depôs Maduro.
“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos — as maiores do mundo — entrem, gastem bilhões de dólares e consertem a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado”, disse Trump em uma coletiva de imprensa em sua residência em Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida. O presidente afirmou no sábado que o embargo dos EUA ao petróleo venezuelano permanece em vigor.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com 303 bilhões de barris, ou cerca de 17% do total global, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA.
Caracas chegou a produzir cerca de 3,5 milhões de barris por dia no seu auge, no final da década de 1990, mas a produção caiu significativamente desde então, de acordo com a consultoria energética Kpler. O país sul-americano produz atualmente cerca de 800 mil barris por dia, segundo dados da Kpler.
A Chevron é a única grande petrolífera americana operando na Venezuela. Ela exportava cerca de 140 mil barris por dia no final do quarto trimestre de 2025, de acordo com a Kpler.
O impacto da deposição de Maduro sobre os preços do petróleo é ambíguo no curto prazo, afirmou Daan Struyven, chefe de pesquisa de petróleo do Goldman Sachs. A produção poderia aumentar ligeiramente se um governo apoiado pelos EUA for instalado e o governo Trump suspender as sanções contra a Venezuela, disse Struveyn a clientes em um relatório de domingo.
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Mas a destituição de Maduro também poderia levar a interrupções no fornecimento no curto prazo, afirmou o analista. No longo prazo, o investimento dos EUA que impulsiona a produção venezuelana pressionaria os preços do petróleo para baixo, disse Struveyn. Uma recuperação da produção, no entanto, provavelmente será gradual e parcial, acrescentou.
Neste cenário de queda dos preços mais à frente, as ações das petroleiras brasileiras são impactadas de diferentes maneiras e intensidades. BRAV3, a maior queda do setor nesta sessão, é vista por analistas como a ação mais sensível a choques nos preços do petróleo, mas a política de hedge deve ser uma salvaguarda contra a volatilidade do mercado. A empresa enfrenta maior sensibilidade às flutuações dos preços do petróleo devido à sua estrutura de custos e às necessidades contínuas de capex, conforme aponta o JPMorgan.
Na visão da Genial Investimentos, sobre a Petrobras, para além da queda do petróleo, a empresa mantém como grande trunfo a manutenção do mais baixo custo de extração de toda a indústria brasileira. Entretanto a empresa vem forçando uma postura de maior fluxo de investimentos, principalmente em negócios que julgamos pouco interessante. “Acreditamos que inclusive isso pode colocar os dividendos da empresa em risco”, aponta.
Entre as empresas que a XP cobre, a PRIO é a sua preferida e oferece uma margem de segurança significativa antes que a geração de caixa chegue perto do breakeven (o momento em que as receitas totais de uma empresa se igualam às suas despesas totais, resultando em zero lucro e zero prejuízo) com uma queda no Brent.
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