Após a derrubada de Nicolás Maduro, líder da Venezuela, em ataque dos Estados Unidos ao país no sábado (3), analistas divergem sobre o que esperar no curto prazo para preços do petróleo. Alguns consideram possível que haja alta no curtíssimo prazo, pela turbulência que a ação inesperada dos EUA pode causar no mercado.
A maioria, no entanto, entende que já havia precificação de um potencial conflito dos EUA com a Venezuela e, portanto, não haveria grandes movimentações no preço dos principais contratos da commodity.
Outro ponto destacado por analistas em relação ao impacto da operação dos EUA no mercado do petróleo é a produção da Venezuela ser muito aquém da capacidade das reservas que detém. Esse aspecto foi, inclusive, explorado nas falas de Donald Trump, presidente dos EUA, em coletiva de imprensa sobre a operação realizada na madrugada deste sábado.
Trump destacou que a Venezuela retirava um percentual muito baixo de sua energia das grandes reservas de petróleo que detém. Por isso, o presidente americano afirmou que grandes companhias petroleiras explorariam a região para trazer riqueza tanto para o povo da Venezuela, em suas palavras, quanto para pessoas de fora da Venezuela que foram “roubadas” pelo regime. Trump falou ainda em “reembolso” das instalações que foram estatizadas na Venezuela e dos custos da operação, além de eventuais gastos com “administração” do país.
Embora a escala do ataque dos EUA tenha sido inesperada, os mercados já haviam precificado um conflito com a Venezuela que interromperia as exportações de petróleo, disse Arne Lohmann Rasmussen, analista-chefe e chefe de pesquisa da A/S Global Risk Management, à CNBC.
O conflito também ocorre em um momento em que o mercado global de petróleo está com excesso de oferta e a demanda está relativamente fraca, um padrão comum no primeiro trimestre do ano, acrescentou.
Analistas ouvidos pela CNBC apontam a possibilidade de preços do petróleo Brent subirem apenas cerca de 1 a 2 dólares, ou até menos, quando a negociação de futuros abrir neste domingo à noite. Há também projeção de queda do Brent cairá um pouco na próxima semana em relação ao fechamento de sexta-feira, que foi de 60,75 dólares.
Os contratos futuros do petróleo caíram 18% no ano passado, sua maior queda anual desde a pandemia de 2020, à medida que os suprimentos aumentaram entre os membros da OPEP+ e outros grandes produtores, enquanto os prognósticos indicam um excedente significativo e crescente em 2026.
Os preços do petróleo podem cair ainda mais, já que a derrubada do regime aumenta a possibilidade de, eventualmente, aumentar a produção de petróleo na Venezuela, disseram analistas à CNBC.
Não houve discussão sobre a Venezuela na chamada, e vários delegados disseram que seria prematuro ajustar a oferta em resposta à captura de Maduro. Mesmo assim, a perspectiva para a produção venezuelana pode se tornar uma questão importante para o grupo nos próximos meses.
Analistas e traders afirmam que pode levar anos para que a infraestrutura crítica da Venezuela seja totalmente reparada e para que o petróleo flua livremente do país, que atualmente responde por menos de 1% do fornecimento global, apesar de possuir as maiores reservas do mundo.
(com Bloomberg e CNBC)
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