O “airbag” do trader: a disciplina no gerenciamento de risco

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Em um universo em que muitos buscam atalhos e promessas de lucro rápido, Victor Noronha defende o caminho oposto: o da disciplina — princípio que sustenta toda a sua jornada no mercado.

Analista CNPI, mentor e engenheiro civil de formação, ele acredita que a sobrevivência no mercado não depende de estratégias mirabolantes, mas de respeito absoluto ao gerenciamento de risco. “Gerenciamento é tudo, é o airbag, é o centro de segurança”, afirma.

Essa visão rigorosa não nasceu por acaso. Convidado do episódio 10 da 3° temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Noronha reforçou que o trader precisa encarar o controle de risco como um pilar de sobrevivência. “Se o trader seguir isso aí, arrisca respeitar o capital dele, respeitar o gerenciamento, ele não vai virar estatística”, observa.

Ética e responsabilidade no mercado

Mais do que ensinar técnicas, Noronha procura formar traders conscientes. Seu trabalho inclui uma triagem rigorosa: ele analisa se o aluno está preparado emocionalmente e financeiramente para o mercado. Ao relembrar o caso de uma aluna que tentava insistir no day trade sem condições psicológicas ou financeiras, ele alerta: “Com o coração partido, eu preciso que você não gaste mais dinheiro nenhum no mercado”, afirma.

Para o analista, o papel de um mentor é também proteger. “Eu prefiro que você não goste de mim, eu te falando a verdade, do que depois você me encher o saco dizendo que o mercado não funciona”, explica.

Esse tipo de decisão revela sua filosofia. A postura firme reflete um valor central de sua jornada: ética acima do ganho. Ele defende que nenhuma orientação tem validade se não respeitar o momento do aluno, e que a responsabilidade do mentor está em preservar quem ainda não reúne condições para enfrentar a pressão e os riscos do day trade.

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A matemática do controle emocional

No centro da mentoria, o foco é ajudar o aluno a entender quanto o próprio capital permite perder, e não quanto ele “aceita” perder. “A gente faz toda a porcentagem em cima do capital e eu estruturo a quantidade de operação e o stop para ele”, detalha.

Noronha trabalha com um sistema que chama de gerenciamento por meritocracia — o aumento de contratos ocorre apenas quando o capital comprova consistência. “A planilha é automática, então todo ganho que vai tendo vai aumentando o saldo e ela vai te dando condição de operar com mais um lote”, explica.

A lógica é simples: só cresce quem merece, e o controle financeiro protege o emocional. Essa estrutura impede saltos arriscados, reduz impulsividade e garante que cada avanço no tamanho da mão seja sustentado por resultado real — evitando decisões tomadas sob euforia, pressão ou necessidade de “recuperar” um dia ruim.

Para ele, a disciplina é o maior filtro de consistência. “Se o stop técnico da operação que você está vendo for maior que o que o seu gerenciamento permite, você vai ficar fora, irmão”, orienta.

 A clareza da mensagem resume sua filosofia: sem respeito ao gerenciamento, não há técnica que sobreviva. Mesmo setups robustos entram em colapso quando operados fora dos limites, e, segundo Noronha, o trader que desrespeita o próprio risco perde não apenas dinheiro, mas também a capacidade de executar o método com consistência.

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Capital financeiro e capital emocional

Noronha também separa o “capital financeiro” do “capital emocional”, que, segundo ele, é justamente o que mais drena o trader em fases de perda. Quando o emocional colapsa, o operador tende a aumentar a mão, mudar de técnica e se perder no que chama de “overdose operacional”. “Nosso bem maior no mercado financeiro é o capital, velho. Então você tem que ser responsável sem falhar com esse capital seu”, conclui.

Na visão do analista, consistência não nasce de resultados diários, mas da capacidade de respeitar o plano mesmo sob pressão. E é por isso que, para ele, o gerenciamento continua sendo o verdadeiro airbag do trader — o que salva antes do impacto.

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