Polarização pressiona e reacende debate sobre terceira via nas eleições de 2026

O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência consolidou, ao menos por ora, a perspectiva de que a disputa de 2026 caminhe novamente para um confronto direto entre petismo e bolsonarismo.

Ao tratar sua entrada na corrida como irreversível e assumir o posto de herdeiro político do pai, o senador reforçou a polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reacendeu, nos bastidores políticos e empresariais, a discussão sobre a viabilidade de uma terceira via capaz de romper esse eixo dominante.

Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada em dezembro mostrou que 24% do eleitorado preferem um candidato que não esteja associado nem a Lula, nem a Jair Bolsonaro. O dado reforça a percepção, por parte do empresariado e do centro, de que há um espaço relevante fora dos polos tradicionais, mas também evidencia o desafio de converter essa preferência difusa em uma candidatura competitiva.

O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro acelerou as articulações. Ao tratar sua entrada na disputa como irreversível, o senador sinalizou que a eleição tende a reeditar o embate direto entre lulismo e bolsonarismo.

A reação do mercado foi imediata: no dia do anúncio, o Ibovespa recuou 4,31%, na maior queda diária desde 2021, enquanto o dólar avançou 2,34%, refletindo o aumento da percepção de risco político e o receio de um quarto mandato de Lula.

Preferido e resistente

No campo da centro-direita, o nome mais citado segue sendo o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Preferido por setores do centrão, ele é visto como o candidato mais preparado para enfrentar Lula, sobretudo pelo histórico de diálogo com o mercado e pela gestão em São Paulo.

Ainda assim, Tarcísio tem reiterado que não pretende disputar a Presidência em 2026, admitindo apenas a hipótese de múltiplas candidaturas no campo da direita.

A própria pesquisa Quaest de 16 de dezembro ilustra o dilema. No levantamento, Lula aparece com 41% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 23%, enquanto Tarcísio surge mais atrás, com 10%.

O desempenho inferior ao do senador bolsonarista reforçou, entre empresários e dirigentes partidários, a avaliação de que o governador paulista teria dificuldade para se viabilizar sem romper de forma clara com o bolsonarismo.

PSDB, centrão e novas apostas

Paralelamente, o PSDB tenta se reposicionar. Recém-empossado na presidência do partido, o deputado Aécio Neves afirma que pretende organizar um movimento em torno de um nome de centro-direita.

O discurso busca minimizar a perda de relevância da sigla nos últimos anos, marcada pela redução da bancada e pelo fracasso da fusão com o Podemos. Internamente, porém, há reconhecimento de que o partido perdeu identidade e capilaridade nacional.

No centrão, o tom também mudou. O líder do PP na Câmara, deputado Doutor Luizinho (RJ), afirmou que o partido agora se sente livre para construir uma candidatura não bolsonarista, sinalizando um distanciamento pragmático da família Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, a criação do Missão, partido ligado ao MBL, adiciona um novo elemento ao tabuleiro, com a promessa de uma oposição de direita ao bolsonarismo em 2026.

Ratinho Junior ganha espaço

Essas discussões ganharam corpo, pouco a pouco, entre aqueles que já admitem que Tarcísio poderá ficar em São Paulo e disputar uma reeleição tranquila.

O diagnóstico predominante do grupo é de que Lula tende a chegar fortalecido à disputa, impulsionado pela ampliação de programas sociais e pela crise diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reforçou o discurso de soberania nacional do governo e contribuiu para arrefecer a inflação.

Nesse contexto, o nome mais citado como alternativa viável é o do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD). A avaliação é que ele teria maior capacidade de transitar entre diferentes campos políticos e de se apresentar como uma opção menos polarizadora.

Nesse contexto também surge o nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e, de forma mais cautelosa, a possibilidade de um outsider, embora cientistas políticos considerem improvável que um nome fora da política institucional consiga se viabilizar.

Olho em 2030

Apesar das divergências, ganhou força entre empresários a ideia de que a articulação de uma candidatura de centro precisa começar imediatamente.

Ainda que a disputa de 2026 seja vista como difícil, o movimento é tratado como estratégico para pavimentar o caminho para 2030, quando o cenário pode ser menos dominado pela polarização entre Lula e o bolsonarismo.

Por ora, o desafio da terceira via permanece o mesmo: transformar um desejo difuso do eleitorado em um projeto político claro, com liderança definida, discurso unificado e capacidade de enfrentar dois campos já consolidados no imaginário político brasileiro.

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