O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é comemorado nesta quarta-feira (2), instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, com o objetivo de promover a inclusão social e respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Diante do crescente número de diagnósticos, a identificação precoce tem se tornado um dos focos principais do debate.
O Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, registrava, em 2004, que um em cada 166 bebês nascidos apresentava a condição.
Já em 2012, passou a ser uma em cada 88 pessoas e, em 2020, a proporção mudou para uma em 54. Os dados mais recentes do CDC sobre o autismo são de 2023, que indicam que uma a cada 36 crianças de oito anos foram diagnosticadas com o transtorno.
No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 2 milhões de pessoas com autismo.
Segundo Marina Alves, coordenadora do Centro do Neurodesenvolvimento e Reabilitação (CNR) do Instituto Jô Clemente (IJC), o diagnóstico precoce pode mudar a vida das pessoas com o autismo, já que a identificação nos primeiros anos de vida pode iniciar terapias personalizadas e levar a avanços significativos.
“Nossa prática clínica demonstra que quanto mais cedo for o diagnóstico, maior a chance de trabalhar o desenvolvimento da pessoa, minimizando desafios na interação social, comunicação e comportamento”, diz.
Conheça os sintomas
Os sinais do autismo podem se manifestar em diferentes fases do desenvolvimento. Alguns deles que podem indicar a condição em crianças, jovens e adultos incluem:
- Pouco ou nenhum contato visual;
- Não responder ao próprio nome;
- Atraso na fala ou comunicação gestual;
- Dificuldade em interagir com outras crianças;
- Comportamentos repetitivos;
- Interesse intenso por um único tema ou objeto;
- Sensibilidade extrema a sons, luzes ou texturas.
Para o psicólogo do Grupo São Lucas Daniel Carvalho, é muito importante ter um olhar atento para o diagnóstico de TEA, com um tratamento multidisciplinar.
O especialista explica que o diagnóstico do TEA é baseado em critérios descritos em dois manuais médicos: o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), da Associação Americana de Psiquiatria, e a Classificação Internacional de Doenças (CID).
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Esses critérios avaliam características clínicas como movimentos repetitivos ou estereotipados, dificuldades na comunicação social e padrões de comportamento rígidos ou fixos.
“Para auxiliar na conclusão do diagnóstico de TEA, é possível que a pessoa faça uma avaliação neuropsicológica com um especialista, a fim de avaliar algumas funções, tais como atenção, memória, linguagem, funções executivas e habilidades sociais e emocionais”
Mas ele também aponta que isoladamente, não há nenhum teste neuropsicológico responsável por diagnosticar o transtorno. “O diagnóstico deve ser estruturado por um raciocínio clínico multidisciplinar, partindo de uma visão global, biológica, contextual e histórico-social do sujeito, o que inclui a realização de entrevistas, observação, teste entre outros processos”, disse.
Tratamento e adaptação
O tratamento para o autismo precisa ser multidisciplinar e deve ser realizado de forma integrada, tanto antes quanto depois do diagnóstico, segundo o psicólogo.
A equipe pode incluir profissionais como neuropediatra, pediatra, fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo, nutricionista, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional.
Um dos modelos mais recomendados é a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que adapta as intervenções ao nível de necessidade de cada pessoa. Essa abordagem trabalha habilidades sociais, acadêmicas e de vida diária, como contato visual, comunicação funcional, leitura, higiene pessoal e a redução de comportamentos agressivos ou repetitivos.
O psicólogo destaca a importância da participação ativa da família, da escola e até do ambiente de trabalho para garantir a inclusão. “É essencial valorizar cada indivíduo em sua singularidade, pois todos buscamos o desenvolvimento”, conclui.
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