Por que resgate de brasileira na Indonésia apresenta desafio, segundo especialista

Dificuldade de acesso e condições climáticas desfavoráveis. Estes são alguns dos desafios apontados pelo major Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros do Rio, para o resgate de Juliana Marins, de 26 anos, que estava desaparecida desde sexta-feira na Indonésia. Na opinião do especialista em salvamentos, a operação precisa ocorrer com urgência.

A família da jovem postou nesta manhã, numa conta do Instagram criada para divulgar informações sobre o caso, que já havia uma equipe de suporte indo para o local. As buscas tinham sido retomados na manhã desta segunda-feira, mas precisaram ser interrompidos às 16h (5h em Brasília) por conta das condições climáticas.

“A ação precisa ser imediata. São muitos fatores contra: altitude, frio, desidratação, possíveis lesões internas e até hipoglicemia — alerta o major, que é especialista em salvamentos.

Juliana caiu em uma área de encosta íngreme do vulcão no Monte Rinjani, que se eleva a 3.726 metros do nível do mar. A queda da publicitária, inicialmente, se estendeu por mais de 300 metros montanha abaixo, em um local de difícil acesso, sem possibilidades, segundo a família, de resgate por helicóptero.

A jovem foi vista pela última vez na sexta-feira (21), quando relatou cansaço durante a trilha. O guia do grupo a aconselhou a descansar, mas ao retornar, ela já havia desaparecido. O único sinal visual foi uma lanterna avistada cerca de 200 metros abaixo do penhasco.

Segundo o major Contreiras, o maior obstáculo para a equipe de resgate na Indonésia é o acesso ao local. Segundo o especialista, em situações como essa, o uso de helicóptero costuma ser a primeira opção. No entanto, as condições meteorológicas e a geografia do Monte Rinjani dificultam esse tipo de operação.

“A altitude reduz a sustentação da aeronave. O helicóptero precisa ter uma potência específica para operar nessas condições. Além disso, o voo precisa ser visual, ou seja, o piloto precisa enxergar claramente o terreno. Neblina e ventos fortes tornam o voo extremamente perigoso. O vento pode ser descendente, empurrando a aeronave para baixo, o que cria um risco enorme para a tripulação”, explica o especialista.

Mesmo com essas dificuldades, Contreiras acredita que um resgate aéreo ainda pode ser possível, desde que haja uma breve janela de tempo com boas condições climáticas. Caso contrário, o único caminho é o acesso por terra.

“O cenário ideal seria uma operação híbrida: levar os socorristas o mais próximo possível por helicóptero, e dali seguir o restante a pé, com uso de cordas e equipamentos de montanhismo”, sugere.

O deslocamento por terra exige uma equipe altamente especializada. O major ressalta a necessidade de socorristas experientes em terrenos montanhosos e com treinamento específico em transporte de vítimas politraumatizadas.

“É fundamental que o grupo leve equipamentos como pranchas, cordas, sistemas de ancoragem e materiais para pernoite. Eles precisam estar preparados para ficar até duas semanas em campo, se necessário”, afirma.

A estrutura mínima para uma operação desse porte inclui ao menos cinco pessoas na tripulação do helicóptero, além de seis a dez militares por terra. Somando logística, equipes médicas e suporte de retaguarda, o efetivo pode chegar a 25 pessoas.

“O comandante da operação precisa seguir protocolos internacionais de resgate. Não pode haver decisões por impulso. É preciso avaliar o terreno, as condições climáticas e garantir a segurança dos próprios socorristas”, destaca o major.

Além das dificuldades desafios de acesso, outro desafio é garantir que a jovem esteja bem. Segundo Contreiras, uma queda de centenas de metros pode causar múltiplas fraturas, hemorragias internas e lesões em órgãos vitais.

“Em casos assim, trabalhamos com o conceito de vítima politraumatizada. Mesmo com ela consciente, os riscos de deterioração clínica são altos. Há também a baixa saturação de oxigênio no sangue devido à altitude, o que pode comprometer ainda mais a saúde dela”, explica.

O oficial lembra que, a partir de 24 horas sem atendimento médico, os riscos de desidratação severa, hipoglicemia e até insuficiência de múltiplos órgãos são riscos iminentes.

O especialista recomenda que as equipes locais mantenham uma força de pronto emprego disponível 24 horas por dia, pronta para entrar em ação assim que o clima permitir.

“Essa equipe precisa estar equipada com alimentos, água, medicamentos, mantas térmicas e material de comunicação. Além disso, é essencial realizar uma reunião prévia com todos os envolvidos, para alinhar os procedimentos e as estratégias de acesso”, orienta.

Contreiras ressalta que, mesmo diante das dificuldades, há protocolos consolidados para esse tipo de resgate, que precisam ser seguidos com rigor técnico.

“Não se pode improvisar. A segurança de todos os envolvidos depende de planejamento e execução criteriosa. Mas o mais importante agora é a urgência. Cada minuto conta”, finaliza o major.

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