(Bloomberg) — O mais recente produto da linha de computadores da Huawei é equipado com um chip fabricado com tecnologia defasada, indicando que as sanções dos Estados Unidos ainda impedem a China de desenvolver semicondutores de ponta.
O processador do MateBook Fold é produzido com a tecnologia de 7 nanômetros da parceira nacional Semiconductor Manufacturing International Corp (SMIC), segundo a consultoria canadense TechInsights. Essa é a mesma tecnologia usada no Mate 60 Pro, que surpreendeu autoridades americanas há dois anos. A líder do setor, Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC, ticker TSMC34), deve iniciar ainda este ano a produção em massa de chips de 2 nanômetros, três gerações à frente dos chips de 7 nanômetros.
O novo notebook dobrável e híbrido com tablet da Huawei, lançado em maio, roda o sistema operacional próprio HarmonyOS. A empresa de Shenzhen tem aumentado gradualmente o uso de tecnologias e componentes nacionais em seus dispositivos, alinhando-se à política de Pequim de reduzir a dependência do Ocidente, enquanto tenta competir com gigantes como Apple e Microsoft.
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A China ainda enfrenta desafios significativos para garantir expertise em fabricação de chips de próxima geração, após uma campanha multinacional liderada pelos EUA que cortou seu acesso a equipamentos e tecnologias avançadas ocidentais. A ASML Holding NV está proibida de vender suas máquinas de litografia ultravioleta extrema, essenciais para a produção de chips sofisticados para inteligência artificial, a empresas chinesas.
“Isso provavelmente significa que a SMIC ainda não alcançou um nó tecnológico equivalente a 5 nanômetros que possa ser produzido em escala”, afirmou a TechInsights em comunicado. “Essa notícia indica que os controles tecnológicos impostos pelos EUA continuam impactando a capacidade da SMIC de alcançar os líderes atuais em nós mais avançados para chips usados em dispositivos móveis, PCs e aplicações em nuvem/IA.”
A Huawei surpreendeu políticos americanos ao lançar seu chip chinês de 7 nanômetros em 2023, mas parece ter feito pouco progresso desde então no aprimoramento de suas capacidades em semicondutores. A empresa chinesa deverá produzir apenas 200 mil unidades de seus chips Ascend para IA em 2025, devido aos controles de exportação, disse Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio dos EUA, em audiência no Congresso no início deste mês.
Os EUA veem a China como principal rival no campo da inteligência artificial, especialmente após o surgimento da DeepSeek no cenário global no início de 2025. Além dos esforços para impedir que a China adquira equipamentos avançados de fabricação de semicondutores, Washington bloqueia empresas chinesas de comprar chips de IA de alta performance da Nvidia (NVDC34) para treinamento, citando preocupações de segurança nacional. Pequim agora aposta na Huawei e na SMIC para avançar na fabricação de chips.
Ren Zhengfei, fundador da Huawei, minimizou recentemente o impacto das restrições tecnológicas dos EUA sobre a China. Em entrevista ao jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o People’s Daily, ele afirmou que não há motivo para preocupação, pois empresas nacionais podem adotar técnicas como empilhamento de chips para alcançar resultados semelhantes aos dos semicondutores mais avançados.
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