O cenário de crédito no Brasil tem revelado duas realidades distintas: de um lado, empresas sólidas com acesso facilitado ao mercado de capitais; de outro, um universo de companhias menores, mais vulneráveis e invisíveis aos olhos dos investidores.
“As empresas menores, que muitas vezes estão dentro de estruturas como FDICs, CRIs ou CRAs, estão sentindo mais os impactos do ambiente macroeconômico”, afirmou Fayga Delbem, gestora de crédito da Itaú Asset. “Elas fazem menos parte das carteiras e acabam ficando fora do radar do investidor de crédito tradicional.”
Ela e Ana Rodela, CIO da Bradesco Asset, participaram do programa Outliers, do InfoMoney.
Com o aumento da inadimplência — especialmente entre pequenas e médias empresas — a gestão ativa ganhou ainda mais relevância. Segundo Fayga, “o risco-retorno está ficando mais complexo, e por isso temos buscado melhorar a qualidade das carteiras, mesmo que isso implique abrir mão de um pouco de spread.”
A gestora também destacou a preferência recente da Itaú Asset por ativos de menor duração e pelo uso estratégico dos FDICs. “Se no ano passado compramos sete FDICs, este ano já passamos de dez aquisições. Temos visto bons instrumentos com relação risco-retorno interessante, e muitos deles já vêm com proteções importantes”, disse.
Tributação
Questionadas sobre os efeitos da proposta tributária sobre os ativos incentivados, como debêntures de infraestrutura, Fayga afirmou que o impacto seria limitado. “Mesmo com a alíquota indo de zero para 5%, o aumento relativo de imposto é de apenas 2,5 pontos percentuais, considerando a alta geral da renda fixa de 15% para 17,5%. Não inviabiliza o produto”, avaliou.
Ela destacou ainda o dinamismo desse mercado, que captou mais de R$ 100 bilhões em 2024. “Seguimos bastante entusiastas. É uma das poucas classes que permite exposição a outros indexadores, como a inflação. E, com gestão ativa, conseguimos ancorar operações, obter prêmios maiores e depois girar a carteira com valorização no secundário”, comentou.
Ana Rodela ressaltou que, embora haja boas oportunidades em segmentos como o agro e o imobiliário, a seletividade é fundamental — principalmente no setor agrícola, que vive um momento delicado.
“Hoje, priorizamos o crédito dentro da cadeia do produtor. O financiamento de insumos, como sementes e fertilizantes, tende a ser mais seguro, porque coloca o credor numa posição de prioridade para o produtor”, explicou. “No agro, a capacidade de pagar e a vontade de pagar caminham juntas — e queremos estar no topo da lista.”
No setor imobiliário, a CIO do Bradesco Asset vê oportunidades provocadas pela escassez de novas ofertas. “A queda nas captações está criando janelas para comprar bons projetos a preços atrativos. Mesmo com o possível fim da isenção, a alíquota de até 5% ainda mantém o produto competitivo”, disse.
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