O ataque devastador da Ucrânia com drones no último domingo, chamado de Operação “Teia de Aranha”, levou 18 meses para ser planejado e danificou 41 aviões de guerra da Rússia em quatro bases aéreas. A operação, considerada bem-sucedida por Kiev, foi organizada pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em inglês) e promoveu a agência de espionagem como uma das principais do mundo, como o Mossad, de Israel. O SBU, segundo o Wall Street Journal, se transformou, durante os três anos de guerra na Ucrânia, na ponta afiada da lança do país, após décadas sendo difamado como corrupto, repleto de traidores e mais focado em perseguir oponentes políticos do que em ameaças à segurança nacional.
Sob a liderança do Tenente-General Vasyl Maliuk, a agência levou a luta até a Rússia com o assassinato de supostos traidores e militares russos, assim como com o uso de drones explosivos de longo alcance que atingiram instalações das forças armadas e petrolíferas. A SBU também revolucionou a guerra naval ao empregar drones que forçaram a Frota Russa do Mar Negro a abandonar em grande parte seu porto de origem na Crimeia.
No ataque do último domingo, o planejamento foi assertivo. Agentes da SBU contrabandearam peças de drones ucranianos para a Rússia e as montaram em um local secreto antes de despachá-las para as bases aéreas, deixando-as escondidas em contêineres. Uma autoridade ucraniana, ainda de acordo com o Wall Street Journal, afirmou que Kiev monitorava os movimentos dos aviões russos antes da operação para aumentar as chances de sucesso quando eles estivessem dispersos por vários aeroportos.
Em entrevista ao Wall Street Journal, um funcionário do SBU disse que os drones eram guiados manualmente por pilotos, mas, em um sinal de como a agência está focada nos avanços tecnológicos, a inteligência artificial assumiu o controle quando algumas das aeronaves perderam o sinal, pilotando automaticamente os drones para atingir seus alvos ao longo de rotas pré-planejadas.
O SBU foi muito elogiado por Kiev pelo sucesso na operação, enfatizando que ela foi planejada e executada por ucranianos com equipamentos nacionais.
— Somos gratos aos nossos parceiros, mas esta operação foi conduzida somente pelo lado ucraniano — comemorou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, um dia depois do ataque.
Dias depois da Rússia invadir a Ucrânia, em fevereiro de 2022, o SBU estava em desordem. Vários oficiais, segundo o Wall Street Journal, traíram o serviço ao auxiliar os russos. Posteriormente, eles foram presos.
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O SBU surgiu de seu antecessor, a KGB, após a Ucrânia declarar independência da União Soviética, em 199. A KGB e seus antecessores perseguiram implacavelmente ucranianos que promoviam a independência. Com a Ucrânia assumindo um caráter autoritário no final da década de 1990, o SBU perseguiu ativistas pró-democracia e oponentes políticos, além de extorquir empresas.
Depois que a Rússia invadiu, tomando a Crimeia, e enviou secretamente paramilitares para o Leste da Ucrânia, em 2014, dezenas de agentes do SBU se aliaram à Rússia. Após a invasão, ainda de acordo com o Wall Street Journal, Moscou continuou a recrutar informantes dentro da agência.
Tenente-General Vasyl Maliuk
Em julho de 2022, Zelensky removeu o então presidente do SBU, seu amigo de infância Ivan Bakanov , e o substituiu por Maliuk, que liderou operações para erradicar agentes russos.
Maliuk, de 42 anos que galgou posições na SBU, construiu a reputação de um líder prático e durão. Em fevereiro, por exemplo, ele prendeu um alto funcionário da agência, que supostamente era um espião russo.
Sob a liderança de Maliuk, o SBU rapidamente se tornou uma agência temida e criativa, que tinha como alvo instalações militares russas e oficiais pró-guerra, com uma série de ataques.
Maliuk é respeitado na agência, em parte porque não foi um político profissional contratado pelo presidente do país, como vários líderes anteriores. Antes de dirigir a agência, ele trabalhou por anos em escritórios regionais do SBU e lutou contra a Rússia após a invasão de 2014.
— Ele conhece cada combatente pelo nome e está sempre aberto a uma conversa honesta — disse um oficial do SBU, que contou que Maliuk viaja frequentemente para as linhas de frente da guerra.
Segundo autoridades ouvidas pelo Wall Street Journal, ele adotou novas tecnologias, especialmente drones, e é especialista em identificar pontos fracos russos e atacar com “resultados espetaculares”.
Os ataques do SBU
Em 2022, por exemplo, em um ataque planejado e executado pelo SBU, um caminhão carregado de explosivos detonou na Ponte de Kerch, que liga a Rússia à Crimeia. A explosão incendiou vagões-tanque de um trem de carga e danificou a ponte, um projeto elogiado por Putin e crucial para a logística de suas forças armadas.
Drones navais explosivos desenvolvidos pelo SBU atingiram, pelo menos, 11 navios russos, segundo dados da agência, forçando a Rússia a retirar grande parte de sua Frota do Mar Negro da Crimeia. Além disso, um drone naval também foi usado para atacar a Ponte de Kerch novamente em 2023, danificando gravemente um pilar de sustentação. Ao Wall Street Journal, o oficial responsável pelo programa de drones marítimos do SBU disse que a confiança e o apoio de Maliuk durante seu início foram essenciais para seu sucesso.
A Ucrânia confia no SBU para encontrar maneiras de atacar profundamente a Rússia, usando drones de longo alcance e operações secretas. A agência, segundo o Wall Street Journal, tem aumentado constantemente o alcance de seus drones explosivos, que agora têm como alvo regular instalações militares e industriais russas.
A organização, inclusive, realizou assassinatos ousados em território russo. Em Moscou, utilizou uma scooter explosiva para matar um general russo e, em São Petersburgo, uma bomba escondida dentro de uma estatueta para eliminar um blogueiro de guerra. A agência também atua na Ucrânia, caçando espiões e sabotadores.
Como resultado desses sucessos, a reputação da SBU cresceu exponencialmente entre o público ucraniano. A confiança na agência atingiu 73% em setembro do ano passado, de acordo com uma pesquisa da empresa Rating, sediada em Kiev, em comparação com 23% em 2021.
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