Gigante chinesa controladora da Temu sente guerra comercial e despenca na bolsa

Temu

As ações da PDD Holdings, dona da plataforma Temu, despencaram no pré-mercado após a empresa divulgar resultados trimestrais abaixo do esperado, sinalizando os efeitos negativos das tensões comerciais entre Pequim e Washington sobre seus negócios.

A receita do primeiro trimestre foi de 95,7 bilhões de yuans (US$ 13,3 bilhões), abaixo da estimativa média dos analistas de 101,6 bilhões de yuans. O lucro líquido somou 14,7 bilhões de yuans, ante uma projeção de 25,7 bilhões. Os recibos de ações da PDD negociados nos EUA recuavam 19% no pré-mercado em Nova York nesta terça-feira.

A PDD deu poucos sinais de melhora no curto prazo. A empresa enfrenta concorrência mais acirrada no mercado chinês e mudanças nas políticas comerciais que prejudicaram a Temu — plataforma de e-commerce de descontos que vinha sustentando o crescimento internacional da companhia nos últimos trimestres. O presidente da PDD, Chen Lei, alertou que serão necessários investimentos significativos para adaptar o modelo de negócios.

“Esse esforço provavelmente vai pressionar nossa lucratividade no curto prazo, e talvez por um período considerável”, afirmou Chen em teleconferência após a divulgação dos resultados.

Segundo ele, a empresa precisará investir e cobrar taxas mais baixas de seus vendedores para fortalecer o ecossistema de e-commerce. A estratégia inclui ampliar o uso de fornecedores locais para atender pedidos da Temu e, assim, reduzir a exposição às políticas comerciais.

Os EUA eliminaram a isenção conhecida como de minimis, que permitia que encomendas de até US$ 800 chegassem ao país sem cobrança de tarifas. Essa brecha havia ajudado a Temu a vender produtos como camisetas e vestidos a preços muito baixos para consumidores americanos.

“Num ambiente externo em rápida mudança, nosso negócio global está trabalhando com vendedores em diversas regiões para garantir preços estáveis e oferta abundante aos consumidores”, disse Chen. “Independentemente das mudanças de política, vamos continuar fortalecendo nossas operações nos mercados onde atuamos, apoiando mais vendedores locais e ampliando os pedidos atendidos por armazéns locais.”

A taxa de crescimento da receita da PDD caiu para 10% no trimestre, abaixo dos 24% do trimestre anterior e dos 131% registrados dois trimestres atrás.

A Temu tem buscado diversificar mercados para reduzir a dependência dos EUA, mas também enfrenta possíveis entraves regulatórios em outras regiões. O Japão estuda revisar as isenções fiscais para pacotes pequenos, alegando preocupações com a concorrência justa. A União Europeia também considera cobrar uma tarifa fixa sobre esse tipo de remessa, predominantemente originada da China.

Os resultados da PDD contrastam com os da rival JD.com, que reportou o maior crescimento de receita em três anos graças a estímulos do governo chinês. A Alibaba também superou expectativas no varejo doméstico, embora os resultados consolidados tenham decepcionado.

Pequim ampliou os subsídios para renovação de bens de consumo — como celulares e carros — com políticas que têm ganhado adesão popular. O avanço nas negociações entre China e EUA também deve aliviar parte das pressões sobre a economia chinesa.

“Subsídios mais generosos para ajudar os vendedores da Temu a absorver os aumentos de custos com tarifas e disrupções nas cadeias de suprimento provavelmente afetaram os lucros da PDD após o início da guerra comercial entre China e EUA”, avaliam Catherine Lim e Trini Tan, analistas da Bloomberg Intelligence.

©2025 Bloomberg L.P.

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