O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, avalia que o governo Lula (PT) perdeu tração política, se isolou na própria legenda e tem falhado em entregar resultados concretos. Em entrevista ao Globo, o dirigente — que hoje lidera uma sigla com ministérios na Esplanada — afirmou que o Planalto “se enfraquece dia a dia” e sinalizou que a federação com o PP deverá se alinhar a uma candidatura de centro-direita nas eleições de 2026.
“A estratégia do governo foi se fechar no PT. Isso enfraquece a governabilidade e a articulação política. Hoje, a maioria da federação tende a apoiar um projeto de centro-direita”, afirmou.
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Segundo Rueda, embora o União Brasil tenha indicado ministros, a estrutura entregue pelo Planalto se restringiu a pastas periféricas. Ele lembra que, ao contrário da gestão Bolsonaro, que incorporou líderes partidários ao núcleo duro do governo, o atual presidente optou por um modelo mais fechado.
“O governo Lula não consegue fazer entregas. Começou o mandato com força após os eventos do 8 de Janeiro, mas essa página passou. Com isso, vem perdendo força política”, disse.
Ele também minimizou a recusa do deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA) ao Ministério das Comunicações, dizendo que o líder preferiu manter a coesão da bancada na Câmara.
Alinhamento à centro-direita e influência de Bolsonaro
Com a federação já firmada entre União Brasil e PP, Rueda projeta que o grupo apoiará uma candidatura presidencial de centro-direita em 2026. Entre os nomes cogitados, ele cita os governadores Ronaldo Caiado (GO), Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS).
Para ele, a definição passará, inevitavelmente, pela influência de Jair Bolsonaro (PL). “Bolsonaro é a maior força política da direita. Em quem ele colocar a mão terá 30% dos votos. Nenhuma frente sem ele é viável”, afirmou, criticando iniciativas como a do ex-presidente Michel Temer, que tenta articular uma candidatura sem o ex-mandatário.
Rueda também minimizou o risco de fragmentação na federação. “Meu desejo é que haja uma decisão única e coesa. Sou contra liberar apoios regionais divergentes”, disse, em relação à possibilidade de palanques estaduais com Lula.
Michelle, Tarcísio e sucessão
Questionado sobre o protagonismo de Michelle Bolsonaro, Rueda destacou seu potencial político, embora diga não saber se a ex-primeira-dama pretende concorrer. Sobre os nomes mais preparados, afirma: “Tarcísio é pronto, assim como Ratinho, Zema e outros. Mas é preciso haver sintonia com Bolsonaro”.
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Alcolumbre, cargos e 2026
Embora aponte que a maioria da federação caminha para um projeto de oposição, Rueda reconhece que o senador Davi Alcolumbre (União-AP), um dos principais articuladores da base de Lula no Congresso, defende a permanência no governo. Segundo ele, isso não representa um conflito interno.
“Davi já escolheu o lado dele, mas respeitará a decisão da federação. Ele quer ajudar o governo, mas sabe separar isso da decisão partidária”, afirmou.
Sobre eventual saída dos ministérios caso o partido não apoie Lula à reeleição, Rueda disse que o tema será tratado em 2026, respeitando o calendário eleitoral. “Quem tem que decidir isso é o governo. Enquanto quiserem a nossa contribuição, vamos contribuir”, disse.
Por fim, elogiou a nova fase da articulação política com a entrada de Gleisi Hoffmann nas negociações. “Todos têm falado bem da dedicação dela. Me parece que houve melhora”.
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